XLIII
XLIII «Porque não casei eu? Ahi vão francamente as razões, meu bom amigo. Em muito nova é provavel que eu o fizesse, se alguem, que estimava, não pagasse com ingratidão o meu singelo affecto. Depois, fui viver no campo, e os cuidados filiaes e fraternaes me desviaram de pensar mais em tal. Minha mãe, pouco antes de expirar, recommendava-me que supprisse, quanto pudesse, a sua falta para com minha irmã, muito mais nova do que eu, e para com meu irmão, a quem Deus recusára entendimento. Quando leio a descripção que Silvio Pellico faz da sua familia e dos seus primeiros annos, enterneço-me; podia dizer o mesmo dos meus, excepto de meu pobre irmão, que não tem imputação dos males que tem causado... Os maiores foram a si mesmo. O seu futuro me assusta!...
«Quer que lhe falle ainda mais a meu respeito, meu caro curioso? Não vale muito a pena, mas eu gosto de conversar com quem me escuta bondosamente; dizem que é pecha de quem vive solitario. Desde que fui viver no campo tomei o habito de não estar um momento ociosa; e assim consegui passar o tempo satisfeita, quando não tinha magoas. Os males physicos não tinham licença de me entristecerem. Quando es-
deixando só em troca a prostração immensa do viajor, que ao cabo de long e difficil caminha, despedaçado de fadiga, só almeja descansar para sempre á sombra da benigna cruz!G.T.