XLVII
«Se eu tivesse a possibilidade de mandar imprimir os melhores dos meus romances, fal-o-ia; mas não é possivel, ao menos por ora; e não tenho no Porto quem se queira arriscar a perder o seu dinheiro sem honra nem proveito.
«Em poesia sou eu uma profana; não fui iniciada na maçonaria poetica. Só o ouvido me diz aquillo que me agrada. Eu tenho pesar de não ter o condão de fazer versos. E' um condão raro; consolo-me com isso. Admiro a paciencia de algumas pessoas. Se todas fossem como eu, não se fariam trabalhos de primor em que fosse preciso gastar a paciencia de um santo; sobre tudo em tempo de calma, como este.»
Terminando aqui o esboço biographico-litterario de D. Maria Peregrina de Souza, fica-me licito dizer, sem taxa de fatuidade, que doei aos leitores uma serie de formosas paginas, que hão-de ser relidas por todos, como ainda hoje o é a chistosa e natural, noticiosa e affectiva, correspondencia da Marqueza de Sevigné.
A photographia e o buril não reproduziriam as feições da nossa illustre conterranea com a verdade e vida com que se retrataram, a sua bella alma, o seu espirito superior, o seu coração