Esta menina era formosa, boa, instruida e affavel. Seus paes não tinham mais filhos, e não pouparam despezas, nem canceiras para lhe darem boa e illustrada educação.
Ella tinha preenchido todos os desejos de seus affeiçoados paes. Ninguem a via e ouvia, que a não admirasse; ninguem a tratava, que a não amasse. Não ha porém alguem perfeito. Henriqueta tinha na alma semente venenosa, que, se a não destruisse antes de germinar, podia vir a dar péssimo fructo.
Era esta semente a vaidade, que lhe vinha de conhecer, que muito valia.
Tantas vezes lhe haviam feito saber, que tinha muitos dotes e merecimentos, que se julgou no fundo d'alma digna, de que todos os joelhos se curvassem diante d'ella. Não tinha o máo gosto de fazer ver, que era o idolo de si mesma, mas agasalhava com amor dentro no peito a crença, de que merecia adorações. Era o germen que havia naturalmente de originar muitos males.
Teve a formosa donzella muitos casa-