― Não sei que tens! Que te mortifica?
― Nada. Doe-me a cabeça alguma cousa. Fiz mal em sair e retiro-me já para casa.
― Estás douda?! Se queres descansar, vai um pouco para o meu quarto. Não consinto, que te ausentes. Quando se não está bom, é que são as precisas distracções. Tomara eu saber o que se póde fazer sosinha em casa!... Faria rir, se tu, na tua edade te emparedavas! E tens muito geito para isso! E, olha, está aqui um amigo de meu marido que se iria deitar ao Douro, se tu fugisses já.
― E' muito natural.
― Fóra de graça, fizeste hoje uma conquista papa fina!
― Que estás a dizer?!
― A verdade. Ha um certo sujeito que morria de amores por ti antes de ver-te. Veio ao Porto a negocios, e protestou que não se iria sem conhecer-te. Mas tu... é preciso prometter uma missa ás almas para se alcançar a dita de enchergar-te!
― Estás hoje muito divertida.
― Fallo sério. Tens um adorador, evou apresentar-t'o.