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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/73

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ços ao pescoço, e desfez-se em meiguices pedindo-lhe que a não abandonasse.

― Abandonar-te! minha Henriqueta, respondeu Julio, retribuindo-lhe suas caricias, abandonar-te! Antes morrer mil vezes. Mas deixar-te por alguns mezes, não é abandonar-te. Quando nos tornarmos a ver seremos outra vez noivos.

― Julio! bradou ella angustiada, não vás!... Ouço dizer que a mulher longe do marido é fraca... Tenho medo de ficar só.

Elle julgava serem estas expressões restos do genio zeloso de sua mulher, e lhe respondeu sorrindo:

― Ou só ou comigo é sempre forte a minha virtuosa esposa... Fio-me tanto em ti, Henriqueta, como em mim.

Ella cobriu o rosto com as mãos. Esteve quasi tentada a confessar a seu marido, que poderoso inimigo ameaçava a sua honra; mas seria destruir a felicidade do pae de seus filhos, e a paz domestica, e suscitar rixas entre seu marido e Carlos. Elles viam-se e tractavam-se com politica, mas não se amavam; e pouco bastaria, para que se tornassem inimigos declarados.