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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/80

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causavam a doença e tristeza d'ella; quão longe estavam de pensar que tudo nascia agora de remorsos!...

Henrique de Moraes escreveu a seu genro a pintar-lhe o estado de sua filha, para que elle abreviasse a sua volta.

Pouco tempo depois recebeu ella carta de seu marido. Córou ao lêl-a, depois fez-se pallida. Saíu de casa, correu pela quinta, como se quizesse fugir a si mesma; foi a um bosquezinho, arremessou-se sobre um banco e soluçou sem constrangimento. Um homem vestido de trabalhador correu alli e lhe disse com um tom de auctoridade, que não dizia com seu traje humilde:

― Isto passa das marcas!... Queres que os teus criados venham aqui e te achem n'esse estado? Que accrescimo de loucura tens hoje? Henriqueta, ganha juizo. Deitas-te a perder com taes excessos. Dize, porque choras! E' por me fazeres feliz?

― Cala-te, Carlos, bradou ella endireitando-se, e deixa-me. Hoje não posso soffrer teus discursos... Fizeste-me a mulher mais desgraçada do mundo!... Não me queixo... Tive a principal culpa do meu aviltamen-