Ir para o conteúdo

Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/83

Wikisource, a biblioteca livre
27

― Henriqueta... meu amor, estás em uma allucinação terrivel!... Socega, e escuta-me.

― Ah!... não!... estou em meu juizo. Allucinada estava eu quando perdi o direito de ser respeitada... quando me aviltei a meus olhos e aos teus.

― Aos meus és sempre um anjo. Não me peças que te mate. E' pedir impossiveis. Não teria animo, ainda que o quizesse.

― E tiveste animo para me tornares desgraçada!

― Fiz-te desgraçada porque te amava muito, e tu me amavas pouco. Se tu tivesses por mim a paixão que me inflamma, quanto não seriamos felizes!... Iriamos para a Bahia...

― Cuidas que eu teria animo para affrontar assim a opinião do mundo?

― Mudarias de nome; passarias por minha esposa, e sel-o-ias diante de Deus. O matrimonio que contraistes foi iniquo... foi sacrilego. Rompe-o. Deixa livre esse homem que te não merecia. Vem... vem comigo...