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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/84

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— Cala-te, Carlos!... Fazes-me horror! Deixar meus filhos!... meus paes!... Lançar sobre elles e sobre meu marido uma nodoa infamante! Deshonrar entes que devia honrar e fazer honrar!... Ai Jesus!... que digo? a deshonra é certa...

― Foge Henriqueta, foge de toda essa gente que te insultará porque tu tiveste um coração sensivel. A honra ou deshonra são cousas que ás cegas applica o mundo como lhe parece. Muitos, dignos do patibulo, são estimados; outros, merecedores d'uma coroa, soffrem despresos. Foge de quem te ha de despresar porque foste mulher fraca, e não criminosa.

— Não... isso não! Fugir é augmentar meus erros.

― Terás animo para soffrer a colera de teu marido?... As reprehensões de teus paes?... As vistas dos teus criados?... O despreso de toda essa gente selvagem que se regosijará de vêr sem prestigio a mulher que a opinião publica tinha sempre respeitado?... Vem comigo, serás a minha esposa... o meu anjo!... Estarás cercada de respeitos que mereces, e das minhas adora-