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Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/87

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positarios, que não és a mesma, que eras, que já te não quer.

Este gracejo de Henrique de Moraes era um agudo punhal para o coração da mulher culpada, que estava dizendo comsigo:

― Terrivel verdade diz meu pae, sem o saber!...

E disse depois o melhor que pôde:

― Meu pae, dá licença que eu vá ámanhã ao Porto a casa de Julio? (Já se não atrevia a dizer: a minha casa.) Tinha alguns arranjos a fazer alli.

― Essa é boa!.. Estás emancipada. Mas se queres escutar os meus conselhos, os arranjos a que tens de attender primeiro, é de te tratar. Cuida da tua saude. Vaes ao Porto, falla com o teu medico.

― Sim, meu bom pae.

Elle continuava a passear com a menina, e proseguiu dizendo:

― Estimo que venha teu marido, porque me davas muito cuidado, e porque tambem o amo como filho, e terei muito gosto de o vêr; mas quando penso que me vão ser roubados meus netos... Hei de pedir-lhe que me deixe um d'elles. Vós podeis con-

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