Ir para o conteúdo

Página:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf/97

Wikisource, a biblioteca livre
41

apenas este saía de casa, ella ía á janella d'onde via o mar, e chorava amargamente.

Como queria viver muito retirada, Carlos estava com ella n'uma quinta, e nos primeiros tempos só ía á cidade, quando a necessidade o forçava a isso; porém a sua paixão foi esfriando, e os pretextos começaram a ser frequentes para deixal-a. Henriqueta não se queixava. Tinha deixado de ser zelosa. Até ás vezes o via sair com prazer, para poder entregar-se a seus negros pesares. A criminosa infeliz não era a mesma, nem no physico, nem no moral. Seu rosto se defecava e emmurchecia, seu caracter se purificava no crisol da infelicidade. No coração e alma era mais virtuosa, para assim dizer, do que no tempo em que o seu porte era bom; pois odiava o crime mais que nunca; e, se não fôra um filho que tinha de Carlos, tel-o-ia deixado, ou antes não o teria seguido. Mas o pequeno Eduardo não era bem visto de seu pae. Era feio, doente, e lhe recordava uma culpa, que tão más consequencias tivera. A mãe era mãe. Amava o pequeno e se compadecia d'elle. E não se atrevia a deixal-o ao pae, temendo