do morro até o alto; depois espraiavão-se pelas margens e leitos do rio Grande e de um seu confluente que nasce na serra fronteira e a que derão o nome de S. Francisco. O leito do Tijuco ainda era mais rico, e era isso natural; para ahi corrião as aguas nativas e pluviaes do flanco do morro: era como um bolinete, formado pela natureza, onde se revolvião as terras auriferas, que desfeitas corrião, ficando depositado no fundo o ouro, como materia mais pesada.
Satisfeita com este rico descoberto, a horda aventureira fez o seu primeiro estabelecimento na margem direita do Tijuco, no lugar a que derão o nome de Burgalhau, que ainda hoje conserva. Ignoramos a significação e etymologia d'esta palavra.
Com a noticia das riquezas do novo descoberto affluirão, como succedêra no Piruruca, outros mineiros que vierão pelo sul abandonando lavras já exploradas e que não offerecião tantas vantagens; a povoação foi se augmentando e derramando pela vertente do morro. Tomou o nome do corrego.
Erão assim duas povoações ainda nascentes, ainda fracas, ainda baldas de recursos e de forças sufficientes, para, no meio de um deserto infestado de animaes bravios e de inimigos encarniçados, os indigenas, poderem subsistir separadas; convinha que se reunissem. O Tijuco, embora mais recente, já era mais populoso, offerecia lavras mais ricas, mais vastas, mais duradouras; e assim. naturalmente os mineiros do Piruruca o forão deixando, até que se passárão para o Tijuco, que ainda teve esse accrescimo de população de homens industriosos.
Por esta fórma o Tijuco foi se tornando importante. Todo o Burgalhau cobrio-se de colmados. Levantou-se um mais alto, mais bem construido, mais espaçoso, que destinou-se para capella. Escolheu-se Santo Antonio para padroeiro, consagrou-se-lhe a capella e veio do arraial da Conceição um sacerdote, que, consta, tinha o nome de Paiva, e ficou servindo de cura[1]. Assim o Tijuco constituia-se um arraial, tomando o nome do corrego, junto do qual fòra fundado, e o morro tomou o nome de morro de Santo
Antonio.