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rém, em que essa manifestação é collectiva, em que a Besta acórda, coincidentemente, em todos os individuos. Então não ha Codigo que o refreie, nem policia que o detenha ! Assim foi em Sodoma, assim foi na Persia, assim foi em Roma... E esse povo decáe. Porque ? Falta de intelligencia ou de caracter ?

Responda Le Bon, na "Evolução dos Povos" : "Não encontramos um só povo que haja desapparecido como consequencia do rebaixamento da intelligencia".

Mas isso já é outro assumpto.

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QUE se pretende aqui é mostrar, apenas, a attitude do homem deante da mulher, no instante tragi-comico da conquista, attitude que é, sempre, ridicula ou brutal, seja nas éras lacustres, nos tempos mediévos ou nos dias contemporaneos.

Nós dissemos : sempre. E o é, com effeito, mesmo nos chamados "tempos heroicos", quando a mulher ordenava ao pretendente que cingisse a sua armadura e fosse brigar com mouros ou serracenos. Para ella, é claro, o homem voltava heróe. Nós, porém, achamol-o duplamente ridiculo porque, afinal de contas, o desgraçado era capaz de deixar a pelle com o inimigo e. a amada com algum outro !

Ora, que se perca a vida, nada de estranho, porque isso é lei immutavel e intransgressivel. Vá lá, A gente não gosta, mas sempre concorda. Mas que se perca tambem a mulher amada, é muito forte ! Dahi a conclusão de que tal modo de conquistar as graças femininas não é heroismo, como parece. É' burrice ! Burrice porque, afinal, o pobre mouro não tinha nada como peixe. no caso em que o mouro morresse. E burrice dupla, no caso da morte do "heróe", porque um homem morto parece que não serve p'ra nada nesta vida. muito menos para conquistar mulheres...

Morrer "pela" mulher é bello. Mas morrer "para" a mulher, é desagradavel.

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MFIM, dando um salto sobre tudo isso, vamos á conclusão.

A conclusão é que nós quizemos dar um quináu solennissimo em Linneu, quando este sueco vaidoso chama o homem de "homo sapiens", abrangendo, nesta classificação apressada, toda a especie humana racional.

Quanto á parte feminina, arrisco-me a concordar. Concordo.

Quanto ao homem, porém, discórdo.

Discordo porque... já disse lá atraz porque. E os rabiscos deste album explicarão melhor.

Explicarão ?

Não sei. Talvez não expliquem nada.

Porque a explicação aqui, como a da Sciencia, como a da Historia, é quasi uma "explicação por hypothese".

Entretanto, ninguem ainda rasgou a Historia. Ninguem ainda incinerou a Sciencia.

Razão sobeja para que não se ponha este album no lixo, sob o pretexto de que é muito falso.

Tal argumento, porém, não colhe.

Não ha falsidade onde ha alegria.

BELMONTE.