Página:Negrinha- Contos (1920).pdf/64

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

62 NEGRINHA

Expuz-lhe o negocio e partimos para o que elle chamava a invernada de fóra. Lá escolhi o lote que me convinha. Apartamol-o e ficou tudo resolvido. De volta do rodeio, cahia a tarde. e eu, almoçado ás oito da manhã, e sem um café de perincio até aquell'hora, chiava numa das boas fomes da minha vida. Assim foi que, apesar da repulsão inspirada pelo urutú. acceitei-lhe o jantar offerecido.

Era um casarão sombrio, a casa da fazenda. De poucas janellas, mal illuminado, mal arejado, desagradavel de aspecto, por isso mesmo toava na perfeição com a cara e os modos do proprietario. Traste que não se parece com o dono é roubado, diz o povo, e diz muito bem. A sala de jantar semelhava uma alcova. Além de escura, e abafada, rescendia a um cheiro esquisito, nauseante, que me nunca mais saiu do nariz — cheiro assim de carne mofada !...

Sentamo-nos á mesa, eu e elle, sem que viva alma surgisse a nos fazer companhia. E como de dentro não viesse nenhum rumor, conclui