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92 NEGRINHA

la com os cachorros lazarentos !... Deixa estar, gente amaldiçoada ! Não se assassina assim uma coisa que dinheiro nenhum paga. Não se mata assim um pobre negro velho que tem dentro do peito uma coisa que lá na cidade ninguem sabe o que é. Deixa estar, brancos de má casta ! Deixa estar, caninanas ! Deixa estar ! Deixa estar !

E, fazendo o gesto fatidico, com a mão espalmada, saiu ás arrecúas, repetindo cem vezes a mesma ameaça:

— Deixa estar ! Deixa estar !...

E, longe, na porteira, inda espalmava a mão para a fazenda, num gesto mudo :

— Deixa estar !...


Anoitecia. Os curiangos andavam a espacejar silenciosos vôos de sombra pelas estradas desertas. O céo era todo um recamo fulgurante de estrellas. Os sapos coaxavam nos brejos e os vagalumes, ás piscadelas, punham piques de luz no sombrio das capoeiras.