- Couca: «haec (Cauca) hodie dicitur Couca, inter Bracharam, et Valentiam».
Idácio, escritor consciencioso e contemporâneo de Constantino, principia o seu Chronicon por estas palavras: «Theodosius, natione hispanus, de Provinciae Gallaeciae civitate Cauca, à Gratiano Angustus appelatur»[1]
Outros, ainda, dão-lhe por assento a serra do Formigoso.
Que a cidade de Cauca existiu na Galiza e que foi pátria de Teodosio, parece averiguado[2]; e, se a sua situação, como pretendem os escritores citados, era entre Braga e Valença, subscrevo, sem relutância, a localizá-la dentro dos limites deste concelho, embora me faleçam dados precisos para determinar, restrictamente, a sua situação.
Mas só isto.
É sabido que os romanos ocuparam esta região e demoraram-se nela, como atestam os castros, marcos miliários, moedas, pontes, via romana, cividades, etc., que aqui deixaram.
Mas tudo isto não basta para poder afirmar-se que a palavra - Coira ou Coyra - (como antigamente se escrevia), tira a sua origem da cidade de Cauca ou Couca.
Conjecturas, mais ou menos plausíveis e talvez fun- dadas na semelhança gráfica dos dois vocábulos, é ao que se reduz o que fica exposto.
O meu ilustrado patrício Sr. tenente-coronel Cunha Brandão, parece filiar - Coira - em «queirã (urze), palavra de origem fenícia, supondo que este terreno, pitoresco, mas agreste, fosse apontado como próprio para a vegetação daquele arbusto, e que pela evolução fonética-gráfica se fizesse a transformação, dando - Coira»1 [3].
No caminho das hipóteses, eu diria que - Coira - vem de - Cora - palavra de origem céltica, que significa - paz, segurança 2 [4].
Com efeito, tudo leva a crer que os Celtas se demoraram nesta região montanhosa em tempos pré-históricos, como é lícito inferir de documentos arqueológicos as - antas - , espalhadas principalmente pela parte montanhosa do concelho, e, nesta, pela mais alta - Boulhosa, Chã de Lamas e Corno de Bico.
Instalados nestes pontos, que, pelo que ainda resta, podem considerar-se estações dolmenicas, e onde a natural feracidade do solo, abundância de águas, de pastagens, de caça, e a própria situação topográfica, convidavam a tomar ali assento; é natural que esta região lhes merecesse o nome de - Cora - «segurança», por isso que todos aqueles três pontos eram verdadeiros redutos naturais, e, consequentemente, segurança para os seus habitadores.
Acresce ainda que, tanto pelo número, como pela relativa proximidade das antas, sobretudo na Chá de Lamas, é lícito suspeitar que neste ponto, pelo menos, houve uma necrópole, uma importante estação mortuária, à qual quadrava bem a designação de - Cora - , para significar a paz dos túmulos, o respeito pelos mortos, tão arreigado no
- ↑ «Portugal Antigo e Moderno», vol. 2.º, pag. 414.
- ↑ Teodósio reinou pelos anos de 392, de Cristo.
- ↑ «Consagração», número único, comemorativo do 31.º aniversário da criação da comarca de Paredes de Coura, publicado em 7br.º de 1905, tipografia de Costa & Carvalho, Porto.
- ↑ «Apuentes Historicos», por D. Ricardo Rodrigues Blanco, pág. 458, edic. de 1870.