Uma cadeia deve ser um sanatório, moral e físico, para os infelizes ou doentes que a sociedade atira para dentro dela.
O que se está, porém, vendo?
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Cadeia
É que, numa grande parte destas casas, o corpo apodrece, o sentimento embota-se, o espírito definha e a moralidade... e a regeneração...
Nem quero dizê-lo.
Não se apregoem os crimes sociais.
A comarca da minha terra possui uma prisão, que pode ser motivo de envaidecimento para os seus naturais.
Muitas há, dessiminadas pelo país, que são um ferrete de ignomínia, não para os desventurados que as povoam, mas para a sociedade, que as tolera.
Em vez de correcção e regeneração, dão o depauperamento físico e estiolam a alma.
Derruir esta ignomínia do passado, é um dever imperioso - uma benemerência do presente.
A cadeia desta comarca é um edifício novo, de aspecto agradável, com compartimentos espaçosos, bem arejados e cheios de luz.
Foi construída à beira do tribunal, mas, como este, está isolada, no mesmo largo.
A fachada principal é ameada, e tem sobre a porta o brazão das armas reais, aberto em fino granito.
Com habitações para presos de ambos os sexos, todas têm capacidade bastante para se respirar e aspirar o ar ambiente, sem o viciar.
Da porta, até ao fundo, segue amplo corredor, que dá entrada para as prisões.
As janelas, bem rasgadas e defendidas por grossas grades de ferro, dão escoante à luz e ao sol, para o interior.
O edifício é de um só andar, mas o soalho está levantado do pavimento, empedrado com pesadas lágeas, cerca de 1 metro.
No vão do telhado é a instalação do carcereiro.
Cumpre fiscalizar a sua limpeza interna, porque a maioria dos que a povoam nunca tiveram a noção da higiene, e por isso desconhecem os seus preceitos e o arranjo que sempre deve haver no compartimento em que estão enclausurados.
Importou este edifício, depois de concluído, - 3:274$555 réis.