Ir para o conteúdo

Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/104

Wikisource, a biblioteca livre

Este facto, de todos reconhecido, foi especialmente assinalado pelo Sr. João da Mota Prego, no seu belo livro - «Adubos e Serras», chamando a atenção dos agricultores do Minho, «mais do que todos os outros», para o emprego da cal, como meio de corrigir os seus solos e de obter produções mais abundantes[1].

--imagem--

Uma lavrada

Acrescenta, ainda, o douto agrónomo, que, em regiões agrícolas, que conhece, semelhantes ao Minho, a aplicação da cal remodelou por completo a economia regional, tornando-as mais prósperas, mais ricas e até mais felizes.

Há 40 ou 50 anos, as terras eram beneficiadas com grandez dozes de adubos de curral: hoje, pelo menos em algumas freguesias, já se não aduba tanto, como demonstra o facto de haver montados tão povoados de tojo, que é preciso lançar-lhe fogo.

Dantes, havia alguns que estavam completamente escalvados, pela insistência no corte dos matos que produziam, e agora é impossível percorrê-los: tanta é a altura e aspereza desses matos.

***

A lavoura actual compreende a cultura do milho maiz, da batata, do centeio, do trigo, do feijão, do linho, e do vinho.

O milho cultiva-se, com vantagem, de mistura com o feijão, em todas as freguesias do concelho.

A natural disposição das terras - encostas e várzeas,- e a fácil irrigação da maior parte delas, muito concorrem para a sua abundante frutificação.

Há duas espécies de milho: o branco e o amarelo.

O primeiro aplica-se, geralmente, às terras leves, secas e de encosta; o segundo às «fundaes», isto é, às que têm maior camada de húmus e mais água: em regra às dos vales.

Ainda é conhecida outra variedade de milho, a que chamam - canête.

É também amarelo, semeia-se na cana do centeio, isto é, na terra que acabou de produzir este; a espiga e a palha são mais pequenas, mas desenvolve-se mais depressa que as outras variedades.

A exportação do milho, em muitos milhares de hectolitros, faz-se para Ponte do Lima e para a estação de S. Pedro da Torre.

Anos, porém, têm havido, cuja intensa exportação foi


  1. Obra citada, pág. 330.