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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/106

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A lavoura do centeio é um pouco mais larga do que a do trigo, mas, como esta, também se faz em pequena escala.

A sua palha - o «colmo» - emprega-se no enchimento de colchões e na cobertura de alguns moinhos e casebres, sem importância.

Semeia-se em Novembro e corta-se no fim de Junho.

No mercado tem o preço médio de 600 a 700 réis, por alqueire de 18,1538.

A farinha serve de «mistura» ao pão de milho.

Como o trigo, é debulhado na eira a «mangual», conhecido aqui por - «málho».

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Também se cultiva o linho, de que, por louvável educação de nossos maiores, se fabricam, em família, alguns tecidos para uso doméstico.

Há duas qualidades: «mourisco» e «galego».

Aquele, demora na terra todo o inverno e a primavera, precisando de muita água enquanto cresce; e este, é sementado, no fim de Abril ou princípio de Maio, de mistura com certa variedade de milho amarelo, ou na cana do trigo.

O desenvolvimento do galego é mais rápido, e a fevera mais fina e sedosa.

Atingido o estado de maturação, é arrancado e levado à curtimenta, na água.

O milho, que foi crescendo com o linho, sacha-se, depois deste arrancado, e segue a sua cultura ordinária.

As outras operações do linho são: «massar», em engenhos próprios, com motor de água; «espadelar»[1] «assedar», «fiar», «ensarilhar», «coser» em lixívia de cinza, «dobar», «urdir» e «tecer».

Há tecedeiras, que apresentam trabalhos dignos de menção, sobretudo em cobertas, que ocupam lugar distinto pelos seus variados desenhos e arabescos.

A indústria de tecelagem, de linho e seus derivados, deve ter sido importante neste concelho, pois as tecedeiras faziam um grémio numeroso, para presidir ao qual a Câmara nomeava uma «juiza».

Esta indústria merece ser animada e protegida, atenta a sua influência moral e económica no seio das famílias.

Já o bom arcebispo de Braga - D. Fr. Caetano Brandão -, com o fim de fomentar «a indústria popular» e «artes mecânicas, por meio das quais se desterra a ociosidade», destinou, em 1792, dois prémios, de 50$000 réis, para o lavrador ou lavradora pobre, que fizesse a maior sementeira de linho naquele ano, não devendo ser inferior a - dez alqueires de linhaça»[2].

A lavoura deste concelho vem-se enfeitando, desde alguns anos, com um novo ramo - a cultura da vinha.

Devastada pelo oidium, ignorados os meios profiláticos e os processos de combate, o lavrador não só a desprezou, desde 1852, senão que levou o seu desânimo a decepá-la.

Entretanto, ia-se importando uma mixórdia, escura, grossa, chamada - vinho catalão, enquanto não foi conhecido o tratamento daquela moléstia.


  1. Aqui diz-se-«gramar».
  2. «Memórias para a História da vida de D. Fr. Caetano Brandão», vol. 2.º, pág. 125.