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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/107

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Mais tarde, passou a população local a fornecer-se do vinho produzido nos concelhos vizinhos, desde que nestes aumentou a produção, pelo emprego da - enxofração, que aqui só muito mais tarde foi adoptada.

Passaram dezenas de anos até se fazerem uns ensaios de plantação de vinha!

Então o lavrador convenceu-se de que a sua região não só se prestava a esta cultura, mas podia produzir vinho razoável e até bom, em sítios.

O ensaio transformou-se em cultura regular.

Os processos de vinificação não são, em geral, aperfeiçoados; mas já não pode duvidar-se de que, deixando sazonar a uva, o tipo do vinho regional é muito aceitável, e talvez preferível a outros, de verão, pela sua frescura e leveza.

Direi mais: excepção feita das regiões privilegiadas nos concelhos dos Arcos de Valdevez, Monção, Ponte do Lima e Viana do Castelo, o nosso vinho pode competir, sem receio, com os outros vinhos verdes do distrito.

As freguesias de Cossourado, Linhares, Ferreira e Formariz, na margem direita do rio Coura; Infesta e Rubiães, na esquerda, produzem vinhos, que têm merecido diplomas honrosos em diferentes «exposições».

Por isso muito convém que o lavrador tenha em vista, no fabrico do seu vinho, a boa maturação da uva e a indispensável limpeza e asseio, tanto na vindima, como na encubação[1].

Já hoje merece referência especial a vinha da Ex.ma Sr. D. Maria Gonçalves Pereira, viuva do falecido Par do Reino conselheiro Miguel Dantas G. Pereira.

Plantada, a mais velha, há quinze anos, pode considerar-se uma cultura modelo.

Armada em longas ramadas de ferro e cordões de arame zincado, tem sido inteligentemente educada pela poda, e convenientemente tratada pelo amanho regular e metódico.

Esta plantação regula por trinta milheiros de pés, de diferentes castas -portuguesas e francesas -, predominando as tintas.

Na colheita de 1904 a produção foi de 50 pipas, e na de 1906 de 55.

A poda é feita pelo processo Casenave, quasi toda.

A maior parte da vinha assenta em padrões americanos e tem-se desenvolvido muito.

Os terrenos desta plantação são de encosta, silico-arenosos, com exposição ao sul.

As instalações vinárias, nada deixam a desejar.

Adega espaçosa, bem orientada, convenientemente ventilada; balseiros e tonéis de madeira de castanho, prensa «Mabile»; gleucómetros; compartimento exclusivo para o curtimento, outro para distilação; esmagador mecânico; abundância de água; tudo denuncia que não se está em presença da rotina, mas dos modernos processos de vinificação.

De forma que, tanto a vinha, como a adega desta Senhora, impressionam bem, mesmo aqueles que vêem de regiões vinhateiras, sendo agradavelmente surpreendidos muitos dos seus visitantes.


  1. O Sr. Batalha Reis, que esteve aqui em Julho de 1905, a fim de examinar uma nódoa na vinha do falecido Conselheiro Miguel Dantas, achou de qualidade superior o vinho produzido nela, assim como outros, que lhe foram apresentados.