espírito dos Celtas, como atestam os seus monumentos funerários.
Quer, pois, pelo lado da defesa natural, quer pela paz sepulcral, ajustava o nome de - Cora - a esta região.
O concelho de Coura, dantes conhecido, como fica dito, por - Coira ou Coyra e agora por - Paredes de Coura -, deve estar incorporado na monarquia portuguesa desde a sua fundação. Não precisamos, pois, de nos enredarmos na averiguação da sua origem, porque não havemos mister de pergaminhos mais longevos[1].
Em todo o caso devo observar que, tanto numa doação, feita por Theodomiro à Sé de Tuy, como noutra (ou confirmação daquela) de D. Teresa e seu filho D. Afonso Henriques ao bispo da mesma cidade, em 1125, se diz que a freguesia de Colina (Cunha) pertencia a Coira: «Ego Terasia Regina..., concedo et confirmo... mediatas Ecclesiae Sanctae Mariae de Colina in Coira...»[2]
E nos «Portugaliae Monumenta», vol. 1.º, fascículo 3.º, encontram-se diferentes passos que reforçam o meu asserto. Assim, no Judicato de Froyom, a propósito da «Collatio de Castinaria», afirmaram os louvados ter ouvido dizer que «um campo desta freguesia foi doado por D. Afonso I a Pedro Barco».
Já era, pois, D. Afonso Henriques padroeiro daquela freguesia. No mesmo diploma, tratando-se da de Mozelos, diz-se que a mesma Rainha D. Teresa doou esta Igreja a D. Paio Guterres, para ele a doar ao convento de Oya (Galiza).
Quanto à de Cristelo, informaram os louvados que «a quarta menos uma quarta d'esta Egreja, era reguenga, assim como o casal doado, por sua vida, a D. Paio Vadasco por El-Rei: e, acrescentaram, que ouviram dizer isto «a seus pais e seus avós».
O testemunho é concludente, porque, tendo sido feitas as inquirições de D. Afonso III em 1258, a informação dos «paes e avós» compreendia, muito provavelmente, o rei- nado de D. Afonso Henriques, fundador da nossa monarquia.
A respeito da «collatio» de S. Martinho de Coura, também se lê, no referido diploma, este passo: que «a meya d'esta ecclesia era regaenga, etc., e que El-Rei D. Sancho 1.° a dera ao Abbade e a Carvom.»
Ora, é sabido que D. Sancho I foi o 2.º monarca de Portugal, reinando desde 1185 a 1211 e que, por isso, esta e outras freguesias, que sempre pertenceram à «Terra de Coyra», fizeram parte integrante da nossa nacionalidade, desde os seus primórdios.
Acrescentarei ainda, que esta região foi habitada desde remotíssimos tempos, pois da passagem dos romanos por aqui dão testemunho muitos restos, - como os milliarios, ponte romana, de Rubiães, moedas, etc.
E, antes deles, estiveram os celtas, como é lícito inferir das antas, machados de bronze, silex, etc., encontrados dentro da área do concelho.