enfim, fazem que eles sejam muito férteis em pastagens e abundantes de matos.
As suas encostas suaves, de trilho macio, povoadas de tojo molar, estão naturalmente indicadas para o pascio de gados.
E uma grande parte facilmente poderia adaptar-se à cultura de cereais, principalmente do trigo e do centeio.
Muitos, estão povoados de arvoredo - carvalhos e pinheiros,- que lhes dão aspecto agradável, e outros, nús.
Destacarei, entre os adaptáveis à cultura, a Chã das Pipas, Baulhosa, Chã de Lamas, Travanca, os da freguesia de Romarigães, próximo do Meijoeiro, e os de Cunha.
Dantes, ainda não há muitos anos, eram infestados de feras (lobos), que faziam sensíveis estragos no gado manadio - cabras e ovelhas.
Dava-se caça a estes carnívoros. por meio de montarias, ordenadas pela Câmara ou pelos monteiros.
Mercê da estriquinina, foram extintas aquelas feras.
Antes de 1834 havia umas entidades paroquiais, os monteiros, a quem incumbia dirigir o povo das freguesias, que concorria às montarias; e quem faltasse era logo encoimado.
Os monteiros eram, quasi sempre, pessoas de representação social, como bacharéis, cirurgiões, proprietários, etc.[1]
Já insinuei que alguns montes estão mais ou menos arborizados; contudo as súas essências tendem a escassear, tornando-se, por isso, urgente a sua repovoação, e o ensaio de novas espécies.
As predominantes são o carvalho, o pinheiro e poucos castanheiros.
O congresso de lacticínios, reunido em Lisboa, nos dias 7, 8 e 9 do mês de Maio, de 1905, fez esta afirmação: «que na zona alpestre (de Portugal) a não ser alguns restritos lameiros particulares, bordados de árvores junto das povoações, e algumas bouças «mal povoadas de arvoredos», só pastagens degradadas, sem árvores, é que se encontram».
E, na 4.ª tese, acentuou «que o mau aproveitamento dos terrenos alpestres resulta de estar a sua propriedade a cargo de corporações administrativas, que neles nenhuma influência benéfica exercem».
O congresso tinha razão.
A sua flagelação incisiva justifica-se, plenamente, pelo desmazelo e incúria das Câmaras Municipais.
O desenvolvimento da arborização dos montes deste concelho traduz uma necessidade inadiável, dadas as suas condições climatéricas, frescura do solo, irrigação e relevo orográfico. Representa factor de valia na riqueza pública.
A área dos «maninhos» e bravios deve regular por oito mil hectares.
Curar, pois, desveladamente, da repovoação e alargamento da arborização alpestre, é promover a salubridade pública e o fomento concelhio.
Conforme o meu critério, seria o primeiro passo promover, em determinados sítios, as sementeiras de penisco, visto estar demonstrado, pela experiência de séculos, que esta essência vai bem nos montes desta região[2].