Darei umas brevíssimas indicações, de carácter prático, a este respeito.
A sementeira do penisco faz-se à raza, ou a lanço, às leiras, em quadrado, e em covachos[1].
A primeira é muito trabalhosa e demanda grande dispêndio para revolver a terra destinada à sementeira, porque é indispensável extrair-lhe as raízes do mato, que iriam tolher o nascimento e bom resultado dela.
A segunda, em galeiras, mais fácil e menos dispendiosa, é, talvez, a mais conveniente e adaptável aos nossos montes.
Consiste em traçar no terreno alinhamentos, paralelos e equidistantes, com 1 metro de largura, cavados a pequena profundidade, nos quais se semeia o penisco.
Entre alinhamento e alinhamento, deve deixar-se um espaço de 2m,5 a 3 metros.
Cumpre, porém, ter em conta, que nos terrenos de encosta estes alinhamentos ou galeiras baixas, devem ser traçados - de travéz -, isto é, perpendiculares à encosta, para que as águas pluviais não arrastem as terras remexidas, e com elas a semente.
A sementeira em quadrados é, apenas, uma modificação da anterior e fica mais barata ainda.
Em vez de se preparar a galeira em todo o seu comprimento, unicamente se preparam os quadrados, com 1 metro de largura, desbravando, somente neles, a terra. Nestes quadrados é que se lança o penisco.
A sementeira em covachos tem aplicação aos terrenos muito inclinados.
Difere da antecedente em que, nos quadrados, a terra fica quasi ao nível que tinha antes do preparo, e por isso as sementes são ligeiramente enterradas; enquanto que nos covachos, a terra, no interior destes, fica a maior profundidade.
É um meio mais eficaz para resistir à acção das águas.
Em qualquer destas sementeiras o penisco deve ser enterrado de 2 a 3 centímetros, de profundidade.
Depois de nascidas, precisam as novas plantas de cuidados, como a catagem das ervas nocivas e desbastes oportunos. O 1.º desbaste deve fazer-se até aos cinco anos, e o 2.º entre os oito e os dez.
Há outras essências, de mais rápido desenvolvimento, cuja adaptação se não procura ao presente, mas deve contar-se com ela como elemento de riqueza.
Está neste caso a amoreira, para a cultura do sirgo, cuja indústria se faz nas nossas províncias da Beira e Trás-os-Montes, onde os terrenos e clima não diferem, essencialmente, dos da província do Minho. A Câmara actual obteve 200 pés na estação de Mirandela, que fez plantar na vila e outros sítios do concelho.
Bem podia implantar-se a indústria do sirgo nesta localidade, porque as classes pobres encontrariam nela o seu ganha-pão.
Com fábricas de seda à nossa beira - Braga e Porto - para comprar o casulo, bem servidos.de estradas, como estamos, talvez esta indústria prosperasse entre nós e nela
- ↑ «Pinhaes», por C. A. de Sousa Pimentel.