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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/116

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teríamos atenuante, de valia, contra essa febre de emigração, que nos depaupera e arruina.

E não me alcunhem de visionário, pois esta ideia não é nova, nem reclamo para mim privilégio de invenção.

Em tempos passados (século XVIII), já se olhava para esta fonte de riqueza com certo carinho e solicitude. Não só as Câmaras, mas os Corregedores se interessavam pela arborização.

Na correição de 1793, feita pelo dr. António David Morais Teixeira, deixou ele um capítulo em que se preceituava que todos os moradores do concelho plantassem nas suas terras e campos, ou nos baldios, 6 castanheiros cada ano, sob pena de 65000 réis para aquele que não cumprisse. Também mandou semear penisco nos baldios, com a mesma cominação; e à Câmara ordenou que averiguasse «quantas amoreiras havia no concelho», devendo remeter-lhe a relação delas, no prazo de 20 dias, «para se por em execução a criação do bicho da sêda».

E cada morador era obrigado a plantar em terreno seu duas amoreiras, cada ano[1].

A criação do sirgo já era, pois, naquele tempo, considerada como adaptável às nossas terras.

A meu ver, a função mais imperiosa e interessante das nossas vereações é fomentar a riqueza concelhia, aproveitando-se dessas poucas facilidades que o Estado lhes proporciona nas leis sobre o regime florestal e criação do sirgo.

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A nogueira preta, o castanheiro da Índia, a paulonwia imperial, etc., árvores de crescimento rápido, tem importante valor florestal, e a primeira dá óptimo resultado na marcenaria.

Ensaiem-se também.

Na estrada real, n.º 24, à entrada da vila, aí temos nós belos exemplares de nogueiras pretas, não obstante ser relativamente nova a sua plantação.

Os choupos ou alamos, são óptimos para os terrenos húmidos e até vão bem nos secos[2]; e notáveis pela beleza da sua folhagem são os platanos, que, sem o menor cuidado de cultura, aí estão a embelezar alguns pontos das ribas do nosso rio Coura.

O castanheiro, cuja madeira, não falando do fruto, é tão apreciável, cumpre não o deixar desaparecer de todo.

Teime-se e lute-se pela sua conservação, como se faz pela vinha.

É bom recordar que na Correição de 1789, o Corregedor obrigou todo o morador deste concelho a plantar, cada ano, 12 castanheiros, e 24 videiras, oferecendo, como estímulo, um prémio pecuniário àquele que plantasse mais árvores do que o número indicado.

É que a arborização é «riqueza, beleza e saúde»[3].

Caça

O sport da caça está na ordem do dia. E, contudo, nem o Estado, nem as Câmaras Municipais (falo das de Coura) fazem cumprir as suas leis e Posturas.


  1. «Liv. das Correições», no arquivo da Cámara.
  2. Vejam-se os que existem no adro da capela do Livramento, freguesia de Formariz.
  3. «Port. Ant. E Mod.», de Pinho Leal.