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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/118

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As raças Alderney, Holandesa, Gersey, etc., são desconhecidas para os lavradores.

Nas freguesias que vizinham com os montes largos, há bastante gado lanígero, cujos proprietários não só lhe aproveitam a lã, mas os cordeiros, para vender.

Além destes produtos, ainda este gado fornece outro mais estimado, talvez: é o seu adubo, muito apreciado para as terras frias ou húmidas.

A criação do cavalar, em manada, foi muito lucrativa e intensa em tempos passados. Hoje está muito reduzida.

Antes da rede tributária emalhar este elemento de riqueza, era considerável o gado desta espécie que povoava os nossos montes.

Mas, depois que o fisco lhe cravou as garras, porventura mais daninhas que as do lobo, a sua decadência acentuou-se tristemente.

Porquê? pois a lei sumptuária não isenta as «egoas de creação»?

Assim é, com efeito.

O mal não estava na lei, mas na sua prática, na forma como os agentes do fisco a aplicavam, dando-lhe uma latitude que brigava com o seu espírito.

As coisas passavam-se assim: muitas das éguas lançadas à manada para a reprodução, vinham de prestar cómodo pessoal, tendo um tal ou qual ensino de sela; e por isso, uma ou outra vez, sempre raras, o dono da manada, já para mandar uma carga de milho à moenda, já para fazer, incidentalmente, uma jornada a cavalo, servia-se de alguma égua da manada.

É claro que este «commodo pessoal», por não ser habitual, nem ter carácter de permanência, não bastava, em boa razão, para fintar o dono do animal: todavia o burocrata tributava-o.

Daqui reclamações, caminhadas para a repartição de fazenda, para o escritório do advogado, perda de tempo, despesas e outros vexames, como a má catadura, a irritabilidade do empregado, etc.

E, porque o caso se repetía todos os anos, veio o desânimo, o aborrecimento dos criadores, que, para se libertarem desta situação, gravosa e incómoda, foram-se desfazendo das éguas, ou não as substituiam quando morriam, ou quando se tornavam infecundas.

Resultado: esta importante fonte de riqueza concelhia, com os golpes do fisco, vibrados pelo trop de zéle do funcionalismo fazendário, quasi desapareceu.

Presidente nato, durante dezasseis anos, da junta fiscal das matrizes, fui testemunha ocular deste furor tributário, ao qual sempre procurei contrapor justo correctivo, por estar convencido de que a tributação exagerada aniquila-se a si própria, por eliminar a matéria colectável, em muitos casos.

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Procurar desenvolver esta indústria local, quer concedendo prémios à melhor manada, quer facilitando «reprodutores» de sangue, seria bom serviço municipal.

As nossas vereações têm aqui largo campo para a sua acção administradora e fecunda iniciativa: piano e piano...muito podem fazer.

Para isso, porém, precisam de conceber e preparar um plano praticável, que abranja o fomento e a riqueza municipais.

É preciso semear para colher.