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Fábrica de lacticínios, de Mantelães
Outra indústria, aliás importante, é a de lacticínios, da fábrica de Mantelães.
Quem diria, há 18 anos, que a palavra - progredior - lema das conquistas civilizadoras, havia de ter uma concretização, tão completa, como audaz, nesta fábrica?
Quem poderia imaginar que o antigo pardieiro, coberto de colmo, enegrecido pelo tempo, onde se arrastava o rudimentar engenho de serrar madeira, havia de ser substituído, no seu próprio lugar, pelo moderno e bem aperfeiçoado edifício da nova fábrica, cujo motor e multiplices engrenagens são factor valiosíssimo de riqueza pública e privada?
Mas é um facto.
O aparecimento desta fábrica não foi um empreendimento casual e inconsciente.
Pelo contrário, traduz a nítida intuição do aproveitamento da força motriz do rio Coura e da matéria prima - o leite - que era abundante, mas andava desperdiçado[1].
Faltava, apenas, a iniciativa - a potente alavanca dos grandes cometimentos -, que também apareceu.
O conselheiro Miguel Dantas - capitalista, passou a ser -industrial.
A fábrica foi instalada, provisoriamente, numa dependência da casa de residência do sr. dr. Manuel d'Azevedo Araújo e Gama, conceituado lente da Universidade.
A 8 de Maio, de 1891, entravam para ela trinta e oito litros de leite.
Uma mesquinhez e um desconforto!
Mas, no fim do mês, o livro das entradas já acusava uma recepção de 2.830 litros.
Entretanto, o seu proprietário ia curando, fortuna vária, das obras indispensáveis, não só para o aproveitamento do motor natural, hidráulico, mas para a instalação definitiva, pouco abaixo da ponte de Mantelães; e no dia 17 de Fevereiro, de 1892, abriram-se, pela primeira vez, as portas do novo templo industrial à exploração do leite e seus derivados.
Dotada de aparelhos e maquinismos modernos, tem a fábrica duas desnatadeiras: - Burmeister, sistema holandês e a - Laval, sistema francês, com seis mil voltas por minuto.
As batelas - (Carpentier, modelo francês) são duas. O malaxeur - (Bergedafer-Eiseneverk) é do sistema ham-
- ↑ «Minho Pittoresco», pág. 138. O Padre Carvalho, na sua «Chorographia Portugueza», já dizia que este concelho era fértil de muitos lacticinios, natas e manteigas em tanta quantidade, que serviam de alimento, todo o ano, a seus moradores, em que entravam muitos nobres.