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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/120

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burguês. O motor, com a força de 8 cavalos, imprime movimento a todos os maquinismos; e a caldeira, a vapor, com capacidade para 500 litros, fornece água para a lavagem dos depósitos do leite, utensílios da sua condução e esquentadores.

Tem a fábrica dependências para oficinas de caixões de madeira, soldagem das latas e pocilga.

Desde a sua instalação até 31 de Dezembro, de 1907, pagou 8.200.418 litros de leite, na importância de reis 200.707$782!

Soma extraordinária, para este meio!

A eloquência dos números impõe-se.

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Para que os produtos da fábrica merecessem a consagração do consumidor, contratou o seu proprietário (conselheiro Miguel Dantas) um prático estrangeiro - Mr. A. Duran, que vencia o ordenado mensal de 500 francos, mais tarde elevado a 600.

A princípio, fazia-se a condução do leite por meio de mulheres, que o iam buscar a casa do fornecedor; depois, passou a ser feito em burras com andas, e agora faz-se em carroças.

A moeda da fábrica, para pagamento do leite, foi, primeiramente, representada por cédulas de papel, que, mais tarde, foram substituídas por chapas de latão, circulares, delgadas, fixas, que são entregues aos fornecedores no acto da venda do leite.

No primeiro domingo, de cada mês, são estas fichas apresentadas por aqueles na fábrica, e aí recebem, em moeda corrente, o respectivo valor.

Assim se tem praticado, religiosamente, desde a instalação.

As fichas, que são de diversos tamanhos, contêm uma legenda e dentro dela um destes três algarismos - 1, 2, e 5, correspondentes a igual número de litros.

Esta moeda não só é recebida pelo comércio local, em pagamento dos artigos que vende, mas nos concelhos circunvizinhos, sobretudo em Valença, e até na cidade de Tuy (Galiza).

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O edifício da fábrica, construção apropriada, vistosa e elegante, não tem as largas dimensões das oficinas que demandam numeroso pessoal: contudo o tom de novidade, estrutura e disposição, que o caracterizam, denunciam-lhe o destino.

É sobranceiro ao rio Coura, que lhe dá a força impulsiva, porque é o seu motor.

Muito branqueado, de janelas abertas, olhando para a estrada real, parece que está a sorrir-se para o viandante.

A disciplina e ordem, indispensáveis para o seu bom funcionamento, determinou a proibição da entrada a quem não é empregado no serviço da fábrica, mas o seu antigo proprietário autorizava, com prazer, a sua inspecção aos forasteiros, que lhe manifestavam desejo de a visitar, e assim se faz hoje.

Para refrescar a nata, há uma nascente, privativa da fábrica, mandada pesquizar pelo falecido conselheiro Miguel Dantas.

Corre, directamente, para um tanque, de cantaria, onde são imergidos os recipientes que contêm a nata; e, antes desta operação, cai sobre o refrescador, onde aquela passa, depois da desnatação.