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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/121

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Quer-me parecer que as apreciáveis qualidades da manteiga, são devidas, em grande parte, à frescura e beleza desta água.

A sua lavagem também é feita com ela.

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É hoje conhecida em todo o país a manteiga da fábrica de Mantelães, ou melhor - do conselheiro Miguel Dantas[1].

A febre de instalações similares, que se desenvolveu no norte do país, depois do aparecimento desta fábrica, não diminuiu a procura dos seus produtos, sobretudo da manteiga, nem excedeu o asseio e acurado do seu fabrico.

A manteiga ocupa lugar distinto entre as suas congéneres.

Sem reclamos espalhafatosos, que nem sempre são garantia de pureza e de probidade, ela entrou facilmente no mercado e nele se tem conservado pelo seu valor intrínseco.

O consumidor aceitou-a, sem solicitações, e registou-a como das melhores.

Mais pura e asseada não a há: testemunho de visu.

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Hoje, a vida desta fábrica está consubstanciada com a vida doméstica e económica da população regional.

O seu desaparecimento acarretaria penosas dificuldades ao movimento comercial e económico desta localidade, pois muitas famílias trazem pautada a sua administração pelas receitas que auferem da fábrica, com a venda do leite.

Pena é que o nosso lavrador não procure libertar-se da rotina, pelo que diz respeito à preparação de forragens e pastagens para o gado vacum.

O leite podia ser muito mais abundante.

Já o distinto valenciano - José A. Vieira, dizia, em 1886, no seu «Minho Pittoresco»: «O fabrico das manteigas (em Coura) é rudimentar e no entanto a que se oferece no mercado é agradável e pura; sendo grande a sua indústria de gados, abundantes as suas águas, Coura podia, como nenhuma outra região do norte, ser a séde de uma importante indústria lacticínia. O leite é, por assim dizer, desperdiçado e as vacas não dão a quantidade que dariam, quando especialmente educadas para a lactação.»[2]

Seria conselho ou previsão do notável paisagista?

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Lembro aos meus conterrâneos a conveniência, senão necessidade, de organizar associações de «seguros» para os seus gados.

Tão generalizado como está aqui o contrato de - «parceria pecuária», chamo a atenção, sobretudo dos parceiros proprietários, para este ponderoso assunto.


  1. Pertence agora ao sr. conselheiro Bernardino Machado.
  2. Obra citada, pág. 138.