e a sua demanda é cara e consubstancia ónus pesadíssimo para as classes médias.
Não falo das menos remediadas.
A instrução secundária, ministrada nos liceus, a medo vai irradiando para a província, para os concelhos.
O «centralismo» e a pesadíssima soma de encargos que o Estado despeja sobre as corporações municipais, são barreiras perante as quais cedem, de desânimo, as melhores iniciativas.
As mesmas «escolas agrícolas», tão proveitosas à popu- lação dos campos, são, apenas, um ensaio, devido, no norte do país, a uma benemerente iniciativa particular.
E, contudo, não é preciso ser águia para ver nelas, além de outros benefícios, valiosa atenuante para o cancro da emigração.
Certo, não era um utopista o conselheiro Emídio Navarro, quando, ministro das Obras Públicas, as criou.
Por isso a sua intensa disseminação, mesmo sob formas modestas, será factor de ressurgimento para a lavoura nacional.
Que a sua população anda tão desprezada!
Tudo pela população das oficinas; nada pela dos campos!
O agricultor é, hoje, na sociedade portuguesa, - o pária.
Para ele não há «creches», «cozinhas económicas», nem «horas de trabalho», nem patronos socialistas, nem filósofos humanitários, nem...
O «servo da gleba» há-de produzir o pão, criar o boi, fabricar o linho, o vinho, o arroz, o azeite, etc., mas, moita carrasco, ninguém lhe patrocina a causa.
Labuta, desde o alvorecer da manhã até de noite, e ninguém, nenhum dos humanitários de tablado, pede, para ele - para o «servo da gleba» melhoria de vencimento, horas regulamentares de trabalho, reivindicações!...
Dêem-lhe, pelo menos, a instrução primária e as escolas móveis, conforme a necessidade regional.
O burocrata não se contenta com o seu vencimento e pede mais; o professorado, está mal remunerado e pede mais; o magistrado precisa ser independente e pede mais; o militar defende a pátria e pede mais; o agricultor e o trabalhador da terra dão-nos de comer, e... morrem à fome.
Eu não falo do grande lavrador, do grande proprietário: lembro, apenas, o servo da gleba... o agricultor, o colono.
Dêem-lhe o ensino prático!
Neste concelho há 18 escolas primárias para 21 freguesias.
Corresponde a cada escola 723 habitantes.
Não vai longe que, aqui, havia somente quatro; e, pouco antes, apenas duas.
Mas o mal subsiste.
Diz-se que a instrução primária é obrigatória.
E dezoito escolas não bastariam para extirpar o analfabetismo neste concelho?
Não faltam leis, não falta funcionalismo superior, Direcções Gerais, repartições, ajudas de custo, tantos por cento para fundo da instrução primária, Conselhos Superiores...; e, entre cada cem habitantes deste afortunado país somente vinte é que sabem ler, escrever e contar!!
Sabem?! Dicant paduani.
Mas virá o mal dos professores?
Não. Esta meritória classe constitui, presentemente, neste concelho, uma verdadeira pleiade de infatigáveis e denodados atletas contra o analfabetismo.