Ir para o conteúdo

Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/125

Wikisource, a biblioteca livre

Guerra ao analfabetismo! eis o grito; e contudo não basta isto. Guerra também ao centralismo, que entorpece, entibia e aniquila a administração local.

---

Na vila houve uma cadeira de gramática latina, que foi suprimida há cerca de 50 anos: dantes, tinha a sua sede na freguesia de Formariz.

Era muito concorrida e frequentada não só pelos da terra, como por muitos estudantes dos concelhos limítrofes[1], quando estava naquela freguesia.

---

O confronto do passado local com o presente, revela, apesar de tudo, algum progresso, como pode inferir-se do documento municipal, que vou transcrever, pelo qual se evidencia o conceito que, ao tempo, se fazia deste serviço.

É o «Relatório das ocorrências, que tiveram lugar neste concelho no ano de 1853-1854»[2].

Diz ele:

«Instrução pública»

«A instrução pública neste concelho é suficiente, porém os professores são poucos para um concelho que tem 21 freguesias e bastante remotas umas das outras. Neste concelho há apenas duas cadeiras de ensino primário, pagas pelo Tesouro, as quais são bem situadas e são frequentadas por 120 alunos. Precisa-se muito doutra cadeira de ensino primário, na freguesia de Cristelo, em razão de ficarem as freguesias de Castanheira, Bico, Vascões, Parada e Cristelo distantes da outra escola mais de meia légua. Há, além disto, outras escolas particulares[3] pelas diferentes freguesías, mas com pouco aproveitamento. Há neste concelho uma escola de ensino repentino»[4].

---

Em Consulta da extinta Junta Geral deste distrito, de 23 de Março, de 1866, reconhecia esta corporação, que nos concelhos melhormente providos de escolas, havia a percentagem de 175 crianças para cada uma, e nas outras, 200 e mais!

Em consequência, pedia ao Governo a criação de mais 35 escolas para todo o distrito, sendo duas para o concelho de Coura.

A mesma corporação ainda consultou no sentido de ser criada uma cadeira do sexo feminino para a capital de cada concelho; e, entre outras, indicou uma para este, porque a não tinha.

E quando, pelo decreto de 22 de Dezembro, de 1864, foi organizado o ensino agrícola do país, a mesma corporação, não só pediu, mas dotou, desde logo, com 800$000 réis, a instalação de - uma quinta distrital, onde aquele ensino fosse ministrado, teórica e praticamente, para preparar «proprietários, feitores, criados e jornaleiros peritos, porque na lavoura, dizia a Junta Geral, não podia dar-se a divisão do trabalho, pois o proprietário é, ao mesmo


  1. Ainda me lembro de alguns lavradores que recortavam a sua conversa com aforismos e frases latinas. Tinham frequentado aquela aula.
  2. Arquivo da Câmara Municipal.
  3. Eram alguns sacerdotes e outras pessoas, que, gratuitamente, se prestavam a isto.
  4. Durou pouco. A este método (repentino) chamava-se do - mandrião, - por ser a letra - A - formada, graficamente, por um homem, encostado a uma árvore: este era o mandrião.