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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/126

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tempo, produtor de cereais, cultivador da vinha, criador de gados, fabricante e manipulador dos seus produtos, tendo também de atender aos prados, ao pomar, à horta e à floresta.»

A falta, que aquela corporação assinalava, ainda não foi remediada neste concelho; e por isso o ensino agrícola é substituído pela velha rotina.

O que se dizia, em geral, para todo o distrito, tem especial aplicação para esta localidade, porque o solo e o clima prestam-se a variadas culturas e nele existem largos tratos de terrenos incultos.

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Dissemos que, com relação ao passado, tinha havido algum progresso, quanto à instrução popular, isto é, a saber ler, escrever e contar.

O facto explica-se, porque, dantes, se não havia escolas oficiais, havia escolas particulares em todas as freguesias do concelho, regidas, gratuitamente, ou pelos párocos, ou por simples sacerdotes, ou ainda por pessoas de alguma ilustração, que, voluntariamente, estes como aqueles, assumiam o encargo de prestar ao povo este valioso serviço.

Caminhou-se, pois, alguma coisa, mas não tanto como era de esperar das novas leis, regulamentos e processos adoptados.

E fecho este capítulo com uma nota triste: é que o nosso lavrador e trabalhador rural esquecem, em geral, o que aprenderam na escola, passados poucos anos, porque... nunca mais tornam a ler um livro ou jornal, nem escrever duas linhas.


CAPÍTULO XIX


Imprensa periódica


DATA de há poucos anos o aparecimento do jornalismo entre nós.

Não foi, pois, nesta escora que alicerçou o rejuvenescimento e progresso hodierno deste concelho.

Quando apareceu, estava feito o melhor e o mais importante.

Devido, talvez, a esta circunstância, é que nas cruas e intensíssimas lutas do nosso noviciado político (1878-1883) nunca houve os desmandos e violências, que a imprensa periódica sertaneja já tem suscitado e alimentado em muitas terras provincianas.

O primeiro periódico, aqui publicado, foi o ― Jornal de Coura.

Eram seus redactores os srs. dr. Bernardo Chouzal e padre Casimiro Rodrigues de Sá; aquele, actualmente, cónego da Sé de Évora e este, abade da freguesia de Padornelo.