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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/147

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do hospital. Esta licença cessou desde que os Santos Óleos foram removidos para a capela da Santa Casa.

Um rescrito da Nunciatura de Lisboa, datado de 28 de Julho, de 1876, concedeu a esta confraria o privilégio de ter o SS. Sacramento na sua capela.

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A Real Confraria do Espírito Santo, foi visitada, que se saiba, por dois venerandos arcebispos de Braga - D. Rodrigo de Moura Teles[1] e D. Fr. Caetano Brandão.

O primeiro fez-lhe duas visitas: uma em 25 de Maio, de 1707 e outra em 4 de Setembro, de 1717.

A de D. Fr. Caetano Brandão parece ter tido lugar no dia 18 de Outubro, de 1791.

A primeira visita do Arcebispo D. Rodrigo foi muito minuciosa, como consta do Livro dos Visitadores.

Sacristia, revistuário, lavatório, alâmpadas, credência, imagens, pintura, mesas dos altares, toalhas para estes, caldeirinha, galhetas, paramentos, suas cores, bolsas, sanguinhos, manustérgios, frontais, tocheiros, pano de púlpito, naveta, sino, pontificais, etc., tudo ele viu, mandou reformar, ou obter de novo, indicando o número de certos objectos para o culto, obras a fazer, etc., etc.

A propósito dos pontificais, ordenou «que estivessem na sacristia, pois lhe constava que andavam por casa do Ostiário e que, quando se levavam para as igrejas, iam dependurados em um pau, às costas de um «mosso» com indecência e pouco respeito».

Preceituou que não se emprestassem os paramentos, sob pena de suspensão para o Prior, a qualquer irmão e ao sacristão.

Na 2.ª visita, tendo notado que não haviam sido feitas as obras indicadas nas visitas anteriores, não obstante haver um saldo de 21$800 réis, ordenou que elas se fizessem no prazo de três meses, «pois não podia haver desculpa, porque com o dinheiro que há de créscimo as satisfazem».

Eram 21$800 réis, e só uma das obras consistia em lagear a sacristia!

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De regresso da sua visita pastoral ao Alto-Minho, é que D. Fr. Caetano veio a Coura.

Este bom arcebispo costumava, quando andava na visita, escrever a um amigo, quasi todos os dias.

As suas cartas são, para assim dizer, um Diário dos seus trabalhos e serviços pastorais.

Uma delas é esta:

«Cheguei hoje de Valença a esta freguesia de Paredes bem no centro de Coura: está o correio a partir e quero que leve a V. m. notícias minhas... Muita chuva e muito frio; parece que estou aqui no coração do inverno, e dizem-me que é o costume de Coura: é terreno mui povoado, e já se sabe que tudo por crismar: amanhã principio»[2].

É, pois, natural que, estando o arcebispo em Coura, não deixasse de visitar esta capela[3] e confraria, já muito notável naquele tempo.


  1. O arcebispo D. Rodrigo nasceu a 16 de Janeiro, de 1644, na freguesia de Val de Reis, comarca de Alcácer do Sal. Formou-se em Cânones em 1667, e foi logo feito Tesoureiro-mor e cónego da Sé de Elvas. Em 1690 foi nomeado reitor da Universidade por D. Pedro II, quando regente. Em 1694 foi eleito e confirmado bispo da Guarda, passando em 1704 para arcebispo de Braga. Quando fez a sua visita pastoral, os povos saíam a recebé-lo de joelhos e batendo no peito, como aconteceu em Barroso, Suajo e outras partes.
  2. Esta carta é datada de 18-10-1791. «Memórias de D. Fr. Caetano Brandão».
  3. O templo do E. Santo é, geralmente, conhecido aqui por - capela do E. Santo.