Ir para o conteúdo

Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/148

Wikisource, a biblioteca livre

Há, porém, no seu arquivo documento que esclarece qualquer dúvida, mostrando que o mesmo Prelado voltou aqui no ano de 1824, ou muito pouco tempo antes.

É uma justificação judicial, julgada pelo respectivo juiz ordinário dr. António d'Antas Bacelar e Barbosa, em 2 de Setembro, de 1824, extraída de uns autos de líbelo de força nova, movida pelo Pároco da freguesia de Paredes António Rodrigues da Costa, contra o padre Manuel José da Silva.

Esta justificação foi requerida pelo Prior e mais oficiais da Confraria, com citação daquele Pároco.

Ora, entre outros factos, a Confraria justificante alegou que, «quando D. Fr. Caetano Brandão a visitou», foi recebido pelo Prior e oficiais e não pelo Pároco, e vê-se pelo contexto do processo que este Prelado esteve em Coura no dito ano de 1824 ou pouco antes.

Já que falei deste processo, devo consignar que no século XVIII alguns Párocos da freguesia de Paredes moveram diferentes pleitos contra esta Confraria, por causa do exercício de pretensos direitos paroquiais na sua capela.

Mas não foram só os Párocos, pois, em 1747, também Sebastião Pereira da Cunha e Castro, Fidalgo da Casa de S. Majestade, Cavaleiro professo na Ordem de Cristo e Capitão de Cavalos[1], intentou e seguiu uma acção contra o Prior da Confraria, que então era o Rev. Pedro Gonçalves d'Araújo, abade da freguesia de Padornelo, pedindo a restituição da posse de umas sepulturas, que havia na capela-mor, e de umas armas da sua família, insculpidas no remate do altar de Santo António.

Vê-se pelo processo, que numa daquelas sepulturas estava inscrito o nome de Baltazar Mendes, e que nelas «estavam sepultadas pessoas da casa de Sebastião Pereira da Cunha e obrigação», pois que seu pai António Pereira da Cunha, que faleceu de 90 anos, sempre, enquanto viveu, ia deitar água benta nas mesmas sepulturas.


-- imagem --

Cruzeiro do Espírito Santo


O pleito foi aceso e cortado de incidentes e recursos, sendo, afinal, julgado a favor do autor.

Então a Mesa, fez lavrar um acórdão, deliberando que


  1. Pertencia à família Pereiras da Cunha e morou na «Casa Grande».