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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/149

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para o futuro, se não pusesse em dúvida o direito do fidalgo às sepulturas[1].

Vem de longe a tradição e fama de serem majestosas e muito brilhantes as solenidades religiosas celebradas por esta Confraria no seu templo.

Efectivamente, muito tem concorrido para lhes dar lustre a palavra dos primeiros ornamentos do púlpito português, como Alves Mateus, Alves Mendes, padre Patrício, Sena Freitas, padre Veloso, de Braga, padre Capela, dr. Porfírio, dr. Gama, dr. Chouzal, Mgr. Xavier da Cunha, e tantos outros, cuja autoridade ou eloquência, tem deixado de si grata memória.

A propósito, referirei que na «visitação» de 7 de Novembro, de 1761, feita pelo dr. Gonçalo Pinto de Carvalho Medeiros, abade de Santa Marinha de Gontinhães — visitador das freguesias do Arcediago de Vila Nova de Cerveira, ao qual pertencia Coura -, se preceituou que, para pregador das festividades desta Confraria, se chamasse um que «fosse irmão» e se lhe desse a esmola do costume -, 23000 réis, porque, «havendo nela muitos e bons pregadores, mal parece rogar outros de fora e com preços prejudiciais à mesma irmandade».

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O templo ou capela do Espírito Santo, com quanto não deslumbre pelas suas linhas arquitectónicas, nem maravilhe pelo rendilhado do labor, ou sumptuosidade do alçado, é certo que não envergonha a terra, nem a Confraria.

Pelo contrário, a singeleza da sua estrutura, a elegância da sua frontaria e campanário, e o bem cuidado da sua fábrica interna, dão-lhe o primeiro lugar entre os templos cristãos desta localidade.

O painel do camarim, representando a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, é razoável trabalho de tela.

O antigo pavimento foi substituído, há anos, por outro, de mosaico.

Dantes, grande parte da feira quinzenal da vila, era feita dentro do adro, mas, depois, por acordo entre a Confraria e a Câmara, foi, avisadamente, retirada dali, assim como os alpendres, destinados às tendas.

A Câmara obrigou-se a pagar, anualmente, à Confraria a quantia de 10$000 réis, sendo este contrato aprovado por alvará do Governador Civil, datado de 8 de Agosto, de 1884, visto que, desde então, revertia em favor da Câmara o aluguer que a confraria recebia dos alpendres.

Desde 1884 tem-se realizado obras importantes no adro, como o escadório, muros, etc.

O cruzeiro foi mudado do adro para o plano superior do escadório.

É uma bela peça de arte.

Há poucos anos foi derrubado por uma tempestade, ficando destruídas algumas das pedras componentes, que foram substituídas por outras iguais.

A base, em que assenta, não condiz, porém, com a graciosidade e labores do resto.

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Antigamente houve na capela uma relíquia, do Santo Lenho, que era aí venerada; mas na «visitação» feita pelo abade Gaspar Durães, pároco de S. Julião da Silva (Valença),


  1. Ao sr. dr. Júlio C. Barbosa, procurador do sr. António Pereira da Cunha, devo esta informação, por ele extractada do respectivo processo.