«Em 1663, na guerra da aclamação de D. João IV, repetidas vezes se juntou aqui o nosso exército e passavam a combater o inimigo e aqui tornavam a recolher, tendo nos seus acampamentos a maior abundância, cousa que admirou não só às outras províncias, mas até aos de outras nações». (Vb.° «Coura»).
Em documentos oficiais, arquivados na Torre do Tombo[1], consignou-se que em Coura se estabeleceu um governo militar, destinado a superintender na defesa da terra, continuamente assaltada pelo inimigo, e que se preparava aqui o abastecimento da guarnição de praças de Riba-Minho.
No referido documento, Coura é considerado «escala ordinária de tudo».
«Assim era, com efeito, pois que ali eram mandados apresentar todos os socorros enviados do sul e que tinham, em parte, de seguir para Riba-Minho; ali se fazia a primeira étape dos que pelas circunstâncias ocorrentes precisavam retirar para o sul. Por ali se estabelecia comunicação, segura, com o interior do país, e por ali, finalmente, passavam todas as ordens do governo para o teatro da guerra, no extremo norte e vice-versa[2].
O concelho, antes de 1834, era governado pelo juíz ordinário - presidente nato da Câmara -, très vereadores, procurador do concelho e pelouro, de eleição trienal popu- lar[3], presidida pelo Corregedor de Viana do Castelo. Tinha escrivão da câmara, almotacés, distribuidor, inquiridor, e contador. Cinco tabeliães, alcaide e almoxarife, data do Visconde, de Vila Nova de Cerveira, como donatário da terra de Coira[4].
Foi D. Manuel o primeiro monarca que deu «foral» a Coura, em 2 de Junho de 1512.
Neste «foral declara-se que da - pena de sangue e de arma -, se não levaria mais de 200 reaes; porque, até então, pagavam-se duas penas - uma para o meirinho e outra do sangue -, na importância de 1.080 reaes, ficando reduzidas a uma só[5].
Todo aquele que disparasse arma, com o fim de fazer mal a alguém, pagava a pena e perdia a arma. No caso, até de fazer sangue, a pena não mudava, excepto se o sangue fosse do sobre-olho, porque, então, os 200 reaes seriam para o Senhorio da terra e a arma para o Alcaide
- ↑ Consulta ao Conselho de Guerra, de 14 de Setembro de 1663, documento encontrado pelo sr. tenente-coronel Cunha Brandão. Voz de Coura, n.º 169, 4.º ano.
- ↑ Voz de Coura, 4.º ano, n.º 169.
- ↑ Chorographia do P. Carvalho, tomo 1.º, pág. 261.
- ↑ Os juizes ordinários eram eleitos pelos homens bons, ou pessoas gradas do concelho. Na sessão camarária de 7 de Julho de 1751, tratando-se da nomeação do meirinho, o Visconde fez-se representar pelo abade de Paredes, D. Prancisco Xavier de Lima.
- ↑ O «real» era moeda portuguesa. Havia-os de ouro, prata e cobre; e, destes, havia reaes brancos e reaes pretos. No reinado de D. Manuel os reses de prata valiam uns 20 reis, e outros 30 reis. Os brancos chamavam-se assim por terem muita liga de estanho. Os lavrados depois de 1462 valiam 6 ceitis. No tempo do Rei D. Duarte um real branco valia 10 pretos, e cada um destes, ultimamente, 6 ceitis (Vitervo). Cada maravedi valia, no tempo do Rei D. Manuel, 27 reis da nossa moeda. O real de prata subiu depois a 40 rs. e no tempo de D. João IV a 50 rs.: era a nossa conhecida moeda de meio tostão.