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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/150

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ordenou-se, que, não se encontrando os instrumentos (sic) a seu respeito, mas havendo notícias deles, lhe fossem apresentados pelo Procurador, e que, se não aparecessem, fosse requerida licença ao Prelado, para ser exposta à veneração[1], o que já se fazia desde o ano de 1727.

A reliquia desapareceu.

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Em tempos passados costumava o Prior da Confraria oferecer lauto banquete na véspera da festa, mas, pelos modos, quem pagava não era o mesário - o Prior.

Esta costumeira foi, muito louvavelmente, abolida pelo Visitador dr. Manuel Pereira Cleto, abade da freguesia de Entre-os-Rios, na visitação de 28 de Maio, de 1770.

Deixou ele escrito, que «o jantar era esplêndido, sendo grande a cópia de iguarias e correspondente abundância de licores...,; e porque o dia é de vigília e o lugar não proporcionado para banquetes, mando que o Prior e seus sucessores não deem mais o dito jantar»[2].

O mesmo Visitador também mandou reduzir a proporções mais modestas a despesa que se fazia «em doces, pão e vinho», para os anjos da procissão de Passos, pois que, pelas contas que lhe apresentaram, achou que se davam mais de 11$000 réis de despesa para aquele fim, e que «ainda que fosse um exército deles (anjos), não se faz crivel que possam comer e beber tanto, e só é presumível que não falta quem os ajude ao consumo de tão precioso alimento».

Para concluir este longo capítulo, aliás merecido pela importância desta Confraria, resumirei o contexto da justificação, mencionada, de 2 de Setembro, de 1824.

Apurou-se, por ela:

1.º Que esta irmandade era muito antiga, excedendo a memória dos homens;

2.º Que era isenta da jurisdicão paroquial[3];

3.º Que o Rei tinha dado o terreno para se edificar a capela;

4.º Que a irmandade possuía, dentro do adro da igreja matriz, uma capela sob a invocação de - Senhor do Horto;

5.º Que, quando D. Fr. Caetano Brandão visitou esta Confraria, foi acompanhado do Pároco de Paredes, como particular;

6.º Que o dito Pároco nunca oficiou nos actos desta irmandade, nem nunca foi ouvido nas eleições, nem na escolha de pregadores, etc.;

7.º Que, quando se fazia a procissão de Passos, a Confraria ia, de véspera, depositar na igreja matriz a imagem do Senhor, e que no dia imediato se fazia a procissão e pregavam-se os sermões, sem ser necessário


  1. Consta do Livro das Visitações e de um processo no arquivo da Confraria. A relíquia, segundo o dito processo, veio do Santo Lenho, que se venera na freguesia de Grade, concelho dos Arcos de Valdevez. A licença para a sua veneração foi dada em 4 de Fevereiro, de 1774, pelo Arcebispo de Braga D. Gaspar. (Cfr. o referido processo de justificação). Aquela visitação foi feita no mês de Setembro, de 1773. Esta relíquia estava engastada em uma cruz de prata e esta encerrada em um sacrário da capela. Foi o abade da freguesia de Bico - António Jácome da Rocha, - quando Prior da Confraria, quem trouxe do Santo Lenho de Grade a nossa relíquia. Este Pároco foi «homem douto e bom Teólogo».
  2. Liv. das Visitações, f. 126.
  3. Não obstante, no arquivo paroquial existem sentenças em sentido contrário.