Não posso afirmar que todos os «vocábulos e locuções», adiante seleccionados, sejam privativos desta região. Para isso faltava-me o termo de comparação com vocabulários similares, doutros concelhos, que, por enquanto, estão por fazer.
É, pois, provisório o «vocabulário que apresento, pelo menos em parte.
A linguagem popular deste concelho não apresenta os ressaibos característicos da galega, como acontece nas povoações da raia seca e ribeirinha do rio Minho.
Não tem aquela mescla galego-portuguesa, que se nota nos concelhos raianos.
É vulgaríssima a substituição do - v - por - b -, o que aliás é quasi geral na província do Minho.
Diz-se, pois, ―binho (=vinho), benda (=venda), couba (=couve), basilha (=vasilha), etc.
0 - ão - e - ã -ditongos, tem a pronúncia de - oun ou aum -, e diz-se -poum (=pão), constipaçoum (=constipação), carrejoum (=carreião), manhaum (=manhã).
As palavras terminadas em - el - pronunciam-se, acrescentando-lhes um - e -; exemplo: arratel = arratele.
O - al - em caso nenhum se pronuncia - aur -, e por isso diz-se:- alma, caldo, sal, - e não -aurma, caurdo, saure.
As palavras - homem, ferrugem, coragem, engrenagem, carceragem, etc. - suprime-se-lhes o - m - final, pronunciando-se, respectivamente, home, ferruge, coraje, engrenaje, carceraje, etc., - como noutras localidades.
Também se diz - bérce (=berço), e outras vezes - bréce (=berço), fruita (=fruta).
Nas palavras - Tourém (povoação da freguesia de Ferreira), Sejarém (sítio da freguesia de Formariz), alem, bem - e outras semelhantes, intercala-se um - i - entre o - e - e o - m -, e pronunciam-se - Touréim, Sejaréim, aléim, béin.
É frequente dizer-se - carto - por quarto: um «carto» de milho, de centeio, etc. (= um quarto de...).
A pronúncia do - x - e do - ch - é perfeitamente distinta. Assim em - chavena, chouriço, chaile, chato, chapeu, chapa, etc., o - ch - tem o seu som próprio e característico, batendo-se ou ferindo-se, com a língua, a cavidade palatina, conservando-se os lábios semi-abertos, para o emitir.
Mas em enxofrar, enxuto, enxerto, etc., o - x - tem som sibilado, brando, quasi soprado, emitido também com os lábios um pouco abertos.
A pronúncia das palavras - chuva, enxuto e truta - não é uniforme: uns dizem - chuvia, enxuito, e outros - chuiva e truita.
Na palavra - chá - é que se diferencia, claramente, a pronúncia, o som característico, do - ch -, que não pode confundir-se com o do - x -.
Há tendência para abandonar o som do - ch -, e adoptar-se o do — x -.
O - c - tem o valor de - q - em - bico, pico, picar, trincar, que se pronunciam - biqo, piqo, piqar, trinqar, nas freguesias de Vascões, Cristelo, Parada e Bico.
Também não se diz - présa, césto, féno, térmo, como no próximo concelho de Cerveira, mas - prêsa, cesto, fêno, termo -. Usa-se a pronúncia regular destas palavras, como tendo sobre o - e - acento circunflexo.
O - e - átono, muda-se em - i - nestas palavras e