Ir para o conteúdo

Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/169

Wikisource, a biblioteca livre
9.º
João Pereira d'Antas

Nosso embaixador em Paris, onde prestou bons serviços nos reinados de D. Sebastião, em Portugal, e D. Henrique II, em França.

Nas «Memórias d'El-Rei D. Sebastião», por Barbosa Machado, encontra o leitor referências aos serviços do nosso patrício, que por aquele autor é incluído no número dos «mais insignes varões daquela idade».

João Pereira d'Antas pertenceu à família dos Antas, por sua mãe D. Isabel Freire, filha de Luiz d'Antas, Alcaide-Mór do Alandroal.

Para se avaliar do mérito diplomático de Pereira d'Antas, basta dizer que, já depois de se ter retirado de Paris, foi escolhido para ir pedir satisfação condigna pelas barbaridades que, em 1566, uns corsários franceses tinham praticado no Funchal.

A este respeito diz Barbosa Machado:... «resolveo o cardeal D. Henrique[1] pedir à magestade d'El-Rei Christianissimo a satisfação d'este aggravo com que egualmente fôra alterada a paz, que havia entre uma e outra Côrte como offendida a auctoridade do nosso principe. Para este fim foi mandado embaixador a Pariz João Pereira d'Antas, que já na mesma Côrte tinha exercitado este ministerio».

Por circunstâncias de ocasião, o nosso patrício não se saiu desta comissão a contento da Corte portuguesa, o que em nada, a nosso ver, diminui o seu grande préstimo.

10.º
Francisco da Cunha

Nasceu na freguesia de Bico, pertencendo à nobre família dos Cunhas, que tiveram solar no Outeiro, freguesia de Cunha.

Foram seus pais Ruy Fernandes da Cunha e D. Vitória da Cunha.

Seguiu a carreira das armas, distinguindo-se como comandante de um terço (regimento) na guerra entre a Espanha e França, em 1638. Pelos seus serviços foi agraciado por Filipe IV com o hábito de S. Tiago, mercê a que alude uma inscrição existente nas ruínas da torre do solar do Outeiro (Cunha).

Francisco da Cunha, que Pinho Leal, no «Portugal Antigo e Moderno) (artigo-Bico), classifica de «cabo de guerra intrépido e atilado», também exerceu importantes comissões na América espanhola, entre as quais citaremos a de Governador de uma província na Nova Granada.

11.º
Ruy Fernandes d'Araujo

Acerca deste nosso patrício lê-se no «Nobiliário» de Andrade Leitão: «Ruy Fernandes d'Araujo, da freguesia de Castanheira, homem fidalgo, que serviu em Tânger muitos anos, viveu no tempo d'El-Rei D. Sebastião e foi capitão do concelho de Coura, na comarca de Viana, filho de Pedro d'Araujo e neto de Gonçalo Rodrigues d'Araujo, que moraram em Ponte do Lima».

Ruy d'Araújo casou com D. Isabel Barbosa de Sousa, da casa de Vascões e tiveram filhos também notáveis.


  1. Regente desde 1562.