Havia, ainda, os «juízes eleitos», nas freguesias, «juíz da vintena»[1] e «quadrilheiros».
Os «mamposteiros» arrecadavam as esmolas da Bula, pelas freguesias.
No concelho havia «Roda», pública, que foi criada em sessão camarária do dia 26 de Novembro de 1787, a que assistiu o Provedor da Comarca de Viana do Castelo dr. Bernardo Xavier Alves Machado.
Foi instalada na vila, ordenando, então, a Câmara que fosse escolhida uma casa cómoda e «o mais oculta possível», na qual residiria a «Rodeira», a quem se pagaria o vencimento anual de 10$000 reis.
A «Rodeira» devia ter sempre em casa mel e, de noite, luz acesa[2].
Para se avaliar do cuidado e interesse que inspirava à Cámara, nobres e povo, o lançamento de impostos novos, vou consignar o que sucedeu com um desta natureza.
Em 1795 baixou da Secretaria dos Negócios do Reino um «aviso» para serem ouvidas aquelas entidades sobre o lançamento de um imposto, para ocorrer às despesas com o encanamento do rio Lima e abertura da barra de Viana do Castelo.
Em 29 de Julho daquele ano, reuniu-se a Câmara em sessão, a que veio assistir o Corregedor dr. António Xavier de Moraes Teixeira, afim de, pessoalmente, ouvir o parecer de todos.
Foram, com efeito, convocados a nobreza e o povo, representados pelos juízes eleitos, para esta sessão.
Dois vereadores e o Procurador do concelho opuseram-se, abertamente, ao lançamento da nova contribuição, declarando que, como vereadores, «não consentiriam em contribuição alguma», e, como munícipes, não a pagariam.
O juiz e outro vereador foram de parecer que se votasse 1 real em cada quartilho de vinho, vendido atabernado, e outro real em cada arratel de carne. A nobreza também se dividiu, sendo a maioria de parecer contra o imposto: o povo votou, unanimemente, também contra.
O capitão-mór do concelho Pedro d'Antas Bacelar foi dos poucos nobres que votou a favor do imposto[3].
No ano de 1800 as freguesias do concelho pagaram dos «terços», destinados à sustentação das tropas, 2.355 alqueires de milho, e cinco nobres, 510 ou sejam: 53.111 litros.
O senhorio da terra de Coura e Castelo de Frayão foi
- ↑ O «juiz da vintena» tinha alçada até 400 reis, em cada freguesia.
- ↑ A casa da «Roda» nem sempre esteve na vila; por vezes foi instalada nas freguesias rurais.
- ↑ Livro das vereações de 1794-1798. Os vereadores que votaram contra, foram: Manuel António Brandão Lens de Castro, António Roiz Costa e o Procurador José da Cunha. O dito vereador Manuel António Brandão apresentou um memorial escrito, no qual dava as razões por que não consentia no imposto, mas o Corregedor não lho aceitou, «porque S. Majestade o mandava a esta diligência para ouvir por palavra e não por escrito».