Pipas» e a «Boulhosa», etc., são outros tantos pontos, cujo horizonte se abre, ao largo, sob o docel anilado do espaço, em alpestres e campestres belezas, que seduzem e embriagam.
Vamos percorrê-los, leitor amigo?
Queres tonificar o pulmão com ar sadio da encosta, impregnado dos suaves eflúvios do rosmaninho?
Deixa a Suissa, o estrangeiro, e vem ver o que é teu. Estuda, observa e admira o que tens de casa.
Valoriza o que a natureza - mãe pródiga - espontânea e liberalmente, te oferece, intra muros.
Serei o «cicerone» e vamos a «S. Silvestre» de Venade, até junto da pequena ermida, em abóbada de granito, que, no alto - esquecida faroleira - tem reagido contra o açoite das tempestades. Está só, no ermo, a remirar-se nos vales de esmeralda, que lhe ficam aos pés, como que velando por eles, a microscópica edícula.
O pegureiro e o caçador saudam-na na sua passagem, e ela - a solitária sentinela - fica a observar quem lhe vai contornando a montanha ondulosa.
Um raio desprendeu-se das nuvens, há poucos anos, e veio cair-lhe no dorso granítico; lascou-lhe as aduelas, abriu-lhe fendas, derruiu-lhe o marco geodesico, alçado num cunhal posterior, mas não a prostrou!![1]
Vamos, pois, lá. Uma manhã de Junho, um modesto farnel, um binóculo e... a caminho do monte de S. Silvestre.
Estamos no alto, a 734 metros acima do nível do mar.
Que soberbo espectáculo!
Ao largo, no último horizonte, por todos os lados, formando continuados arcos de círculo, divisam-se as seguidas cordilheiras - austeras molduras -, em que se engasta este ridente e inconfundível retalho da nossa formosa província do Minho.
Que largueza de vistas para Valença, para a Galiza, para Cerveira!
Lá estão as muralhas da praça de Valença, da antiga «Contrasta», enroscando-se e estrangulando a povoação términus do nosso país, em frente de Tuy. Mais para cá, ainda no perímetro da praça, as novas e graciosas edificações da Esplanada, que dão a visão de pombas brancas, por aí pousadas.
Daqui vos saudo, bons e ilustres valencianos!
Além, um pouco mais para norte, repousa a sombria e vetusta cidade das ninās - a prolífera fábrica galaica de padres - Tuy.
Ao fundo, entre as duas povoações fronteiriças, pode ver o leitor aquela larga fita, que se esconde diante da praça, para reaparecer, cá abaixo, pelo Tuydo, descrevendo pequenas curvas, por entre renques de choupos e salgueirais. É o rio Minho, que lhes está lambendo, languidamente, os pés e a dizer-lhes: «sois irmãs, mas independentes».
Para oeste, os largos pinheirais da bacia de Cerdal, Fontoura e S. Pedro da Torre, serpeados por outra extensa
- ↑ Foi reparada neste ano (1907).