referido concelho e aos 12 anos de idade foi para os Arcos estudar Latim, ai tendo por hospedagem o solar de uma sua prima, respeitável mãe do rev. Abade de Vilela.
Aos 16 anos, seguiu para Braga, onde fez os preparatórios liceais e depois o curso teológico, que completou em 1875.
No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Direito, da Universidade de Coimbra, onde teve por condiscípulos os seus comprovincianos Adolfo Cruger Garção, António Joaquim Durais, António Maria Vieira Lisboa, Joaquim Augusto Barreto Pimentel e António José Alves de Melo, todos filhos deste distrito.
Terminou a sua formatura no ano lectivo de 1880-81, sendo-lhe passada a respectiva carta em 7 de Junho daquele último ano, a qual foi firmada pelo Reitor Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Visconde Vila Maior) e pelo Chanceler António Luiz de Sousa Serra.
Obteve durante a sua carreira académica, sempre, as melhores classificações, tendo sido Capelão da Capela da Universidade. Cantara missa nova em 4 de Abril de 1878, tendo como coadjutor o sábio lente da Faculdade de Teologia, seu amigo e vizinho Dr. Manuel de Azevedo Araújo e Gama, da casa de Mantelãis, freguesia de Formariz de Coura.
Recolhendo à sua terra natal, voltando para junto dos seus conterrâneos-que o adoravam e que ele tanto amava, chegando a sacrificar-se e a sacrificar seus bons pais e estremosos irmãos pelo bem deste povo-aqui exerceu a advocacia, não como causidico que tem unicamente por norte a própria bolsa, mas qual outro elevado sacerdócio, pois que de ordinário o fazia obsequiosamente, nunca recebendo um ceitil dos pobres e sempre actuando com profundo saber e um desvelado interesse pelas causas de que se encarregava. Alguns dos seus trabalhos forenses estão impressos e são hoje bem raros.
Foi Capelão da Real Confraria do Espírito Santo, da vila de Paredes de Coura e, mais tarde, da Confraria de N. Senhora do Livramento, da freguesia de Formariz, devendo-se-lhe importantes obras de embelezamento do muito aprazível local onde está a capela da mesma denominação. Nos templos dessas confrarias, como em outros deste concelho e ainda do nosso distrito, prègou admiráveis sermões, ainda hoje relembrados pelo seu alto merecimento literário e doutrinal.
Em 3 de Fevereiro de 1885 foi nomeado Conservador do Registo Predial da comarca de Paredes de Coura, conservan- do-se no exercício destas funções até 13 de Setembro de 1901. Neste mesmo ano, em Outubro, foi despachado Juiz Auditor do distrito administrativo de Bragança. Tendo adoecido e prolongando-se este seu estado, foi passado ao quadro da magistratura, até que, mais tarde, regressou ao exercicio das suas funções de Auditor, servindo no distrito administrativo do Funchal, donde escreveu ao meu querido amigo sr. Júlio de Lemos aquelas encantadoras cartas que o mesmo cavalheiro publicou na curiosa revista literária a «Limiana».
Em 1907, escreveu e publicou em opúsculo a biografia do seu imortal conterrâneo Frei Redempto da Cruz.
Foi embora por pouco tempo-administrador de Paredes de Coura e presidiu à Câmara Municipal do mesmo concelho desde 1908 a 1910, prestando notáveis serviços à sua terra, como pode ver-se do apreciado relatório da sua gerência, que publicou e mereceu os mais rasgados elogios da imprensa.
Dadas as suas ideias liberais e democráticas, sempre desassombradamente afirmadas, como por ocasião daquele memorabilíssimo discurso no banquete oferecido em Viana ao sr. Conselheiro Teixeira de Sousa, em que dirigiu uma impressionante exortação ao Rei e seus áulicos, para que se promovesse a regeneração nacional, governando com o povo, nada lhe