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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/31

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A «Pena» é uma ondulação, arremessada para ali pelo monte do Crasto.

Serve de anteparo à freguesia de Moselos, para a resguardar das ingratas rajadas do norte.

--imagem-- Capela da Pena


Cortada quasi a pique sobre ela, é indispensável costear, até ao pino, a eminência, para se poder avaliar, com justeza, das variadas tonalidades campesinas desta região.

Que fértil e larga bacia, constituída pelo ubérrimo solo das freguesias de Moselos, Formariz, Paredes, Cristelo e Parada, (na sua parte baixa), toda ela burilada por longos fios de água, que vão enrelvando a pradaria!

Além, para o sul, no contraforte do pequeno monte da Cotaleira, alveja a vila de Paredes de Coura, muito lavada, muito limpa e... muito remoçada, como que a sorrir-se para o forasteiro que, da Pena, estivesse a fotografar-lhe as suas feições novas.

O horizonte é adorável.

Por entre os longos maciços do arvoredo, saltitados de casas e capelitas de neve, aparecem trechos de verdura, fazendo o fundo filigranado deste canteiro virgiliano - desta «natureza que parece cantada», como disse João Chagas[1].

Quem olhar para baixo, para a raiz do monte, pensa estar à beira de um grande berço, feito de esmeraldas.

Dá vontade de ficar ali, a gastar os olhos nesta zona encantadora.

Visitar este concelho e não ir ao monte da Pena, é como entrar num jardim às escuras. Ide lá, de verão.

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O «Corno de Bico», a 889 metros sobre o nível do mar, é a Sibéria desta região, pois é nele que pousam os nevões com mais frequência, posto que pouca demora. Corre a leste, na linha norte-sul.

De longe, afigura-se árido, invio e pesado, e contudo o solo contém muito húmus, e é vivificado por muitas nascentes, de boas águas, que, decorrendo pelas ravinas, o tornariam apto para a cultura.

A sua encosta poente, voltada para este concelho, armada de longos giestais, é na primavera um interessante retalho de paisagem, enflorado de amarelo.

Coroado de enormes blocos de granito, o «Corno de


  1. «Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 208, de 2 de Novembro de 1906, «As minhas razões».