aqui as forças de Castela, comandadas por Roxas e Pantoja[1].
«O monumento» não condiz com a grandeza do feito, mas é eloquente bastante para fazer evocar, com veneração, a memória dos valentes portugueses que aqui selaram com sangue generoso a vitória das nossas armas.
Por isso, saúdo-te, gloriosa estância e quisera beijar-te!
A «Travanca»! Foi na sua vertente leste que, em 1662, se feriram os combates dos dias 9 e 10 de Agosto[2].
Não temos informações minuciosas acerca deles, fornecidas pela história militar ou pelas crónicas coevas e posteriores. Contudo, pelos relatos que se encontram na Torre do Tombo[3] e por notícias avulsas, sabe-se que os combates da Travanca foram precedidos, acompanhados e seguidos de importantes evoluções táctico-estratégicas pelos montes deste concelho e pelos vales do Minho e do Vez; que os habitantes de Coura, capitaneados por António Pereira da Cunha, não só secundaram, brilhantemente, as tropas de linha, mas empregaram, durante alguns meses,
--imagem do lado esquerdo -- Histórica capela de Cerdeira
os mais generosos esforços para sustentar as mesmas a tropas; que morreram cerca de 1.500 inimigos: que o quartel general do Conde do Prado se achava instalado na Boulhosa sobre o Estremo a 28 de Julho; que no relatório deste dia participou ao Conselho de guerra a ocupação daquela posição para «cobrir todas as freguesias de Coura, sem as quais se não pode sustentar o exército»; que em 2 de Agosto estava o quartel general em Paredes, tendo esta data o relatório de um pequeno combate junto à Gandra de Prozelo, nos Arcos, e bem assim das providências adoptadas para cobrir Coura e Valença, visto Pantoja aproximar-se do Estremo; e, finalmente, que foi em Paredes que o Conde escreveu o relatório dos referidos combates da Travanca.
- ↑ Em 1663 o mesmo Conde invadiu a Galiza e conquistou Goyan, povoação fronteira a Vila Nova de Cerveira. Em 1665 o general português João da Cunha Sotto-Maior, com 300 soldados de cavalaria e 200 de infantaria, bateu D. Inigo Fernandes de Velasco, Vice-Rei da Galiza. Em Junho do mesmo ano, o mesmo Conde do Prado atravessou o Minho em uma ponte de barcas, em direcção à Guardia, ameaçada pelo general espanhol, que não aceitou batalha. Em Outubro do mesmo ano, também o Conde, deixando Scomberg na província de Entre Douro e Minho, passou outra vez à Galiza, saqueou o Rozal, caminhou sobre Bayona e Bouças, perto de Vigo, sendo esperado em S. Colmado pelo general espanhol D. Luiz Poderico, que fugiu, apenas avistou o exército português. Então o Conde seguiu para o Porrinho, que incendiou, e destruiu as suas fábricas de farinhas e biscoito, donde se abastecia o exército espanhol. Flanqueou para o sul e caiu sobre a Guardia, pondo-lhe cerco, que fechou em 12 de Novembro. Depois desta lição aos espanhóis, voltou o Conde à sua província.
- ↑ Devo a informação particular do Sr. Cunha Brandão as referências que vão seguir-se, extraidas dum escrito seu, destinado a ser publicado no aniversário destes combates.
- ↑ «Consultas» ao Conselho de Guerra de 1662.