Dentro de uma, que havia sido desobstruída, internamente, pouco tempo antes da minha inspecção, (como denunciava o entulho espalhado à porta) para ser adaptada a curral de cabras, ficou a descoberto, no pavimento, uma pedra, configuração de mó, com orificio incompleto ao centro. Afigura-se-me estação arcaica, que merece estudo.
Foi no dia 20 de Outubro de 1905 que, com os meus amigos José Guerreiro, inteligente professor da escola de Rubiães, e José Bacelar, distinto secretário da administração deste concelho, descobri estes restos da «via militar»[1].
A sudoeste da mesma Portela Pequena levanta-se alto cabeço, a que se chama «Cidade murada», onde se encontra extensa linha de pedras soltas, que dão a ideia de terem ruído de algum muro. O sítio - amplo ponto de vista - domina a mencionada Portela e todo o vale adjacente da freguesia de Romarigães.
Ao sul do cabeço estende-se espaçoso terreno plano, bem próprio para edificações, cuja existência aí, em tempos remotíssimos, não repugna admitir, em vista da muita pedra faceada que por lá se vê. E esta hipótese está em concordância com a toponímia local e com a tradição oral.
Chamo para este ponto a atenção dos arqueólogos.
Não vai longe que as excursões da élite courense se faziam, de preferência, para o monte da Chã das Pipas, continuação poente da serra da Boulhosa.
Esta preferência era justificada.
A Chã das Pipas como que serve de docel ao lendário Castelo da Furna, e tem diferentes altitudes. As marcadas na carta topográfica são de 621, 629 e 666 metros [2].
É verdadeiramente deslumbrante o panorama da «Chã das Pipas».
A feracíssima bacia de Monção, o rio Minho, a Galiza com os seus esfumados montes, as ribeiras, os templos, as estradas, os largos maciços de pinheirais, desenham painel tão o brincado de luz, de belezas, de fascinações, que dá vontade de ficar ali.
Lá fora, ao longe, para o norte, as montanhas galaicas, fechando o horizonte como extensa faixa de mar: mais para cá, um pouco contra o rio internacional, vão-se fixando, mais nítidos, os verdejantes vales, os casais, as povoações.
Que modalidades!
O que ao largo é nebuloso e indefinido, acentua-se, determina-se, à medida que o raio visual se torna mais restrito.
As enormes massas graníticas, escuras, das serranias longinquas, são substituídas por outras, de formas precisas, que se levantam na margem galega. E aí mesmo, divisa-se uma longa faixa branca, qual muro de quinta de burguês rico: é a risonha povoação das *Niéves».