nas maçãs, olhos castanho-escuros e cabelo bem cuidado.
Vestia de luto rigoroso.
Dirige-se, desembaraçadamente, ao conselheiro, que é todo bondades e atenções para ela, e interpela-o:
- Viu o «meu homem»?
- Onde?
- No Brasil.
- Não vimos do Brasil: descemos do monte,- da «Chã das Pipas».
- E o senhor não conhece o meu homem?
- Não.
- Ai! queira desculpar: enganei-me.
A pobre mulher, que tão agradavelmente nos impressionara, pois, moralmente, devia ser uma pérola engastada nas asperezas daquele aro espinhoso e agreste, vestia, como notei, de luto, que lhe realçava a beleza campesina; vestia a cor da morte, porque, conforme o costume regional, o marido tinha deixado o templo da família para ir a longes terras amassar, em vagas de suor, as migalhas com que havia de prover à sua subsistência e à dos seus.
E partir para o desconhecido, é morrer.
Depois, despedindo-se, cumprimentou-nos e retirou-se, mas ainda pudemos ler bem. no seu ar dolorido, quanto lhe ia sangrando a alma por ter sido iludida na grata espectativa de ter noticias do «seu homem».
Formoso coração aquele, onde tudo lhe dava rebate, alvoroçado, de quem, ajoelhado com ela ante o altar, em dia de emoções inolvidáveis, talvez àquela hora estivesse prostrado na lágea da praça pública, de cansado e de nostalgia.
É tão acariciador e tem tantos sorrisos o céu azul da infância...
Encontram-se no Castelo da Furna, gravados na face sul de alguns penedos, uns sinais, à semelhança de fossettes, que não podem deixar de considerar-se como esculturas pré-históricas, pois que, sendo a face da rocha cortada a prumo e plana, não podem atribuir-se à acção das águas pluviais, visto que o seu próprio peso as faria decorrer para o solo.
No «Archeologo Portuguez», vol. 7.º, pag. 72, vem uma gravura com sinais semelhantes, a propósito de um artigo intitulado - «O Alto do Carocedo ou Carrocêdo».
E propriamente fossettes vêem-se num dos mais altos blocos da penedice, que, por receberem e conservarem por muito tempo as águas da chuva, corre que nunca se esgotam[1]. Não é verdade.
Afora estes, ainda merecem registo os montes da Chā de Lamas pelas suas numerosas antas; da Cividade, na freguesia de Cossourado, pelos restos do seu castrum; de Ventuzelo, na de Infesta, onde se encontram grandes trincheiras e fossos de importante fortificação, etc.
- ↑ «Portugal Antigo e Moderno», vol. 1.°, pag. 408, col. 1.ª; «Diccionario Chorographico» de J. A. d'Almeida, vol. 1.°, freguesia de Boibão, pag: 153, e «Appenso» do 3.º vol., palavra Boibão, pag. 64.