escondendo dos negócios públicos e respeitando a liberdade, «cujos cantos os homens da sua terra ouvem nas brisas que varrem os outeiros dos seus montes ou perpassam pelas suas encostas suaves», dadas as suas ideias, repetimos, uma vez implantada a República, compareceu à sessão da sua proclamação, na Câmara do seu concelho, para a qual fora convidado pelos republicanos locais, todos eles seus dedicados amigos pessoais e num discurso dos mais entusiásticos e eloquentes que em sua vida proferiu, declarou solenemente aderir ao novo regime, como soldado, ficando ao seu dispor para os serviços que pudesse prestar-lhe.
Tão leal adesão e o seu raro prestígio como homem público determinaram o círculo de Ponte do Lima a elegê-lo seu Deputado à Constituinte de 1911, sendo depois Senador, e como tal propugnando no Parlamento por importantes melhoramentos do Alto Minho e defendendo problemas de subido interesse nacional, como causa dos respectivos discursos, que correm impressos.
Esteve indigitado para sobraçar a pasta da Justiça― cargo para que possuía uma preparação completa, não chegando a ser nomeado devido a uma embolia cerebral, que o havia de tornar presa da morte, assim terminando a sua brilhantissima existência uma das mais lidimas glórias de Paredes de Coura.
Como já disse, o Dr. Narciso faleceu em Lisboa, na casa n.º 64 da Travessa da Palmeira, no dia 14 de Janeiro de 1913, tendo seus estremosos irmãos feito trasladar o seu cadáver para o cemitério de Formariz, onde jaz junto ao seu grande amigo e insigne benemérito courense sr. Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira.
Morrendo pobríssimo, o Dr. Narciso deixou imorredoura obra espiritual, legando à posteridade escritos de inestimável valor jurídico e literário, sobressaindo entre todos esse primoroso livro «No Alto Minho-Paredes de Coura», um verdadeiro hino de amor ao seu torrão natal e que é considerado o que há de melhor no género em Portugal.
A minha terra pode orgulhar-se deste seu ilustre filho e decerto jamais o esquecerá, desta sorte manifestando a gratidão que deve a quem tanto a honrou e tão inspiradamente a descreveu.
Cóvinha - Formariz de Coura.
Manuel António Rodrigues
(Separata de «A Aurora do Lima» de 12 de Janeiro de 1940)
Narciso Candido Alves da Cunha, bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, avisa os seus amigos e clientes de que, desde o dia 1.0 de junho do corrente anno, terá aberto o seu escriptorio de advogado todos os dias, excepto domingos e dias sanctificados, desde as 9 horas da manhã até ás 3 da tarde, na conservatoria d'esta comarca. Todas as 6.as feiras dá consultas gratis para as pessoas pobres, que lhe apresentarem bilhete de pobreza passado pelo seu Parocho. Paredes de Coura, 24 de maio de 1888.