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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/40

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Mas o sr. tenente-coronel Manuel J. da Cunha Brandão sustenta, com bons argumentos, que o rio Coura nunca teve o nome de - Froylano[1].

E o distintíssimo arqueólogo sr. dr. J. Leite de Vasconcelos supõe que Estrabão se equivocou, chamando Baenis ao rio Minho, e que escreveu Baenis por Naevis (rio Neiva)[2].

Froylano, Froylão, e Froyla são nomes de homens, como é sabido[3].

O rio Coura, correndo de leste para oeste, divide o concelho em duas partes, sensivelmente iguais, e recebe todos os afluentes que derivam do sistema orográfico desta região.

Têm-lhe sido assinadas diferentes origens: - «Corno de Bico», «Boulhosa» e «Chã de Lamas».

Para mim, porém, que as conheço perfeitamente e que as tenho percorrido, considero a última - «Chá de Lamas» - como a principal, com quanto a primeira faça maior percurso. As de Bico e Boulhosa são, de verão, nascentes pouco importantes.

Pelo contrário, a lagoa de «Lamas», também conhecida por - lagoa da «Salgueirinha», impõe-se, não só pela sua largueza, mas pelo seu abundante manancial[4].

Está situada ao norte da freguesia de Vascões, limites deste concelho e dos Arcos de Valdevez.

O rio só toma o nome de Coura a montante da ponte de Casaldata, na confluência das duas nascentes de Lamas e Bico; porque, até este ponto, são, respectivamente, conhecidos pelos nomes de regatos de S. Gonçalo e dois Cavaleiros.

A nascente, ou antes, as nascentes que derivam, da serra da Boulhosa, uma pela freguesia das Poreiras e outra pela de Insalde, reunem-se em um só ribeiro, nesta última, um pouco ao sul da igreja paroquial, tomando depois diversos nomes, conforme os sítios por onde passa, tais como: dos Velhos, de Lagido, dos Brunheiros, e de Linhares.

A juzante da antiga ponte de Sigo e montante da Fèteira, sobre a estrada real n.º 24 lança-se no rio Coura, correndo, aí, por entre as freguesias de Padornelo e Mozelos, o ribeiro de Insalde ou Brunheiros.

Tem o rio Coura outros afluentes, de relativa importância para o regadio dos terrenos de cultura, como são: o regato do Bouço, que se reune com o de Quintão no sítio da Costa, entre as freguesias de Formariz e Ferreira. Aquele nasce no lugar de Venade e este no de Carreiros, ambos desta freguesia[5].

Depois da sua junção, tomam estas duas correntes o nome de regato de Gonçalvinho, que vai lançar-se no


  1. «Voz de Coura», ano de 1905, n.08 109, 111 e 112.
  2. «Religiões da Lusitania», vol. 2.º pag. 37. Dizem outros que, antigamente, se chamou - Caluber -, pelas muitas voltas que dá, e que do río passou o nome ao concelho, por corrupção deste nome no de Coura: «Diccionario Abreviado», de J. d'Almeida, Suplemento. «Voz de Coura», 2.º ano, n.º 48.
  3. Argote»1 fala de um D. Froila, que desafiou o Conde D. Gonçalo. Um Froylano, bispo de Oviedo, firmou a doação feita por D. Urraca à Sé de Tuy, em 13 de Janeiro de 11092. 1 «De Antiquitatibus», pag. 489, edição de 1738. 2 «O Minho Pittoresco», pag. 131 (nota) também considera a nascente de Lamas como a principal origem deste rio.
  4. Sr. Cunha Brandão entende que fluvius Froylanos, do Codice, deve traduzir-se por - rio de Froyão e não - rio Froilano.
  5. Perto da nascente do regato de Quintão em Carreiros, brota outra de águas ferruginosas. Ainda não foram analisadas.