guesia. Assim, na de Formariz, minha naturalidade, são notavelmente finas e distintas as águas das fontes da Maceira e Sabugueiro (públicas) e do Corgo, em uma propriedade do meu parente o Sr. José A. Pedreira Bacelar[1].
Do que fica dito facilmente se depreende não só que este concelho é abundante de águas, mas que esta abundância vai reflectir-se, vantajosamente, na sua produção cerealífera.
E, havendo no rio Coura altas quedas de água, pena é que a grande indústria não as conheça, nem as tenha procurado.
Importantes motores hidráulicos encontraria ela nesta corrente, para fazer laborar as suas fábricas, e na facilidade de comunicações em que se encontra o concelho, que está ligado à estação de S. Pedro da Torre, na linha férrea do Minho e Douro, por magnífica estrada a macadam, teria a mesma indústria igual facilidade para levar os seus produtos aos grandes centros.
Na mesma povoação de S. Pedro da Torre encontraria, ainda, a via fluvial do Minho até Caminha, que porventura poderia baratear transportes.
Feito este pequeno esboço físico do sistema hidrográfico do concelho, vamos dar um passeio, à vol d'oiseau, pelas margens do rio Coura.
Apenas é navegável, alguns quilómetros, desde a sua foz, na margem esquerda do rio Minho, em Caminha, até à freguesia de Vilar de Mouros, no mesmo concelho.
A nordeste daquela formosa vila é atrevessado pela extensa ponte de ferro que dá serviço à linha do Minho e Douro, e, um pouco mais abaixo, pela de madeira, assente em pegões de pedra.
As suas margens, orladas, em grande parte, de extensos renques de arvoredo - amieiros, salgueiros, aveleiras, carvalhos, freixos, etc.- são pitorescas e interessantes.
Aqui e além, beijam-nas longos tractos de terrenos cultivados, que mais aformoseiam a tela, recortando a paisagem em graciosos tons.
A contrastar, porém, com esta sugestiva tonalidade, aparecem trechos a que se poderia adaptar a designação de - belo horrível, como se vê quando o rio vai deixar o concelho de Coura, na freguesia de S. Martinho.
Os «moinhos» - fábricas rudimentares de moer grãos - dispersos pelas duas margens, quasi sempre escondidos na ramaria adjacente, com o monótono rom-rom das suas pesadas mós, que engolem grãos para nos darem farinha, revelam a secular rotina de que tanto enferma o povo minhoto.
As sinuosidades descritas pelo rio, as suas «mottas», que o multiplicam em plácidos lagos; a própria corrente, ora serpeando a descoberto, ora escondendo-se sob a penedia, como nas «Penices», em Formariz; já deslizando mansamente por cima da fina areia, já dominando todos os obstáculos que, na invernia, se lhe opõe à desfilada, tudo isto daria um feixe de empolgantes situações que a minha pena não sabe descrever.
Julho ou Agosto, ide internar-vos na «Deveza das
- ↑ O «Almanach de Vianna do Castello», para o ano de 1905, regista as águas potáveis deste concelho como - «excellentes».