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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/45

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Quatro horas da tarde. Matamos quem nos matava... e o Albano, com a Maria[1], já colheram no leito arenoso do rio, agora escassamente provido de águas, umas pedritas polidas, afeiçoadas em oval e estriadas de diversa maneira.

O sol começa a declinar e em breve irá lançar-se

--imagem--

Ponte romana de Rubiães (lado sul)

detrás do monte da Cividade, em Cossourado: a brisa já vai agitando, delicadamente, a ramaria.

Vejamos o que nos rodeia.

Ao fim do paúl, alveja a mencionada fábrica, que é um passo fora do círculo rotineiro. Mais acima, seguindo a estrada real para o sul, ergue-se o novo edifício da escola, modelo Bermudes, que logo nos fere a retina pela côr de rosa da pintura; mais adiante - uma centena de metros -, a vetusta e veneranda igreja paroquial, construção românica. Para o poente, a uns duzentos metros sobre o rio, dorme um sono de muitos séculos a ponte romana[2], por onde, decerto, passaram as legiões do povo-rei.

Tais são os pontos capitais que podem ser observados neste acanhado horizonte.

Duas obras, que herdamos de civilizações passadas - a igreja e a ponte romana -, e outras duas, da civilização que nos está deslumbrando - a escola e a fábrica.

O passado e o presente, a defrontarem-se, neste estreito âmbito!

A fábrica - movimento da matéria - e a escola - movimento do espírito -, estão a olhar para a ponte, que em verdade representa o imperialismo, e para o templo, que simboliza a paż, o amor.

A ponte, é a conquista, pela guerra; o templo, a conquista, pela cruz.

Quando pela ponte passava o romano, talvez o rio se chamasse, ainda, Belion; quando eu passo, chama-se Coura.

Dantes, a ponte romana estava só, e agora, a montante, vê-se outra, mais lavada, mais alegre, que a engenharia do meu tempo ali foi lançar.

A primeira - a romana - é de construção humilde, mas vem de séculos, porque no próximo lugar do Crasto lá está, ainda, um miliário do tempo de Júlio César (14 anos


  1. Meus sobrinhos, de tenra idade.
  2. Diz-se que esta ponte é romana, mais pela tradição do que por revelar as características de construções similares daquele tempo.