em níveos cachões, donde se levanta subtil neblina, que se transforma em multiplicados arco-iris, que o sol bebe.
Salto audaz, temeroso, que parece deixar exausto de forças o ribeiro!
Tal é a sua mansidão ao deslizar, depois, por entre dois tufos de verdura, que lhe esmaltam as orlas!
Empolgante este quadro!
E, contudo, o indígena, à força de o ver repetido, passa por ele, inconsciente e descuidoso, porque o fastio da repetição embota-lhe a delicadeza do sentimento estético[1].
O rio Coura é atravessado, dentro do concelho, por 11 pontes, de maior ou menor importância, todas de pedra, excepto a chamada das Poldras das Barrocas, entre a freguesia de Linhares e a de Rubiães, que assenta em tramos de ferro.
Criam-se nele muitas trutas, vogas, escálos e enguias.
RESTOS de uma civilização, que passou, mas que ainda nos deslumbra, são esses monolitos, que jazem na freguesia de Rubiães.
Ainda despertam a veneração que se deve à velhice, porque os seus cabelos brancos impõem culto reverencioso.
Os marcos miliários são blocos graníticos, de configuração cilíndrica, afeiçoados pelo artista, nos quais se gravava uma epígrafe, e eram levantados à margem das vias romanas, de mil em mil passos[2], donde lhes adveio a designação.
Como os marcos quilométricos, de agora, eram aqueles destinados a marcar certa extensão das vias, referida à cidade de Roma, ou a uma povoação importante, e, conco-
- ↑ O abade de Infesta, Domingos da Cruz Alves, no seu «Relatório» de 1758, dizia que era digna de ver-se no inverno a «queda d'agua». no sítio das Lageas d'Agua d'Alto. É a esta que nos referimos. Cfr. «Voz de Coura», 2.º ano n.º 47.
- ↑ O «passo», nas medidas romanas, era o intervalo compreendido entre o lugar que ocupava um pé e aquele que o mesmo ia ocupar em seguida. «Mil passos» regulavam por 1.500 metros de extensão. O sr. dr. Félix A. Pereira assina-lhe 1.481 metros. - Archeologo Port., vol. XII, pag. 131.