Ir para o conteúdo

Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/48

Wikisource, a biblioteca livre

mitantemente, as obras de reparação e os nomes das autoridades que as mandaram fazer.

Os miliários desta região, conhecidos há mais tempo, são os que se encontram no átrio da capela de S. Bartolomeu de Antas, servindo-lhe de suportes.

São quatro[1].

O erudito epigrafista sr. Pe. Martins Capela trasladou para a sua obra - Miliários - as legendas de três[2].

É que a epígrafe do quarto está tão delida pela acção corrosiva do tempo, que é impossivel a sua leitura a olho nú. Talvez se obtivesse, pelo menos em parte, por decalque.

Diz-se que foram de Cossourado para o sítio em que agora se encontram, mas não é isso plausível, porque a distância do rio, entre a ponte romana de Rubiães e o monte da Cividade, donde consta que vieram, não comportava quatro miliários. Este percurso não excede três quilómetros.

Estariam, porém, agrupados.

Além destes, há mais três miliários na mesma freguesia de Rubiães, a saber: um, no adro da igreja paroquial, outro, dentro do quinteiro do sr. Gaspar Teixeira, e o terceiro, à entrada do portão da casa deste mesmo cavalheiro, situada no lugar do Crasto.

O primeiro está servindo de pilastra a uma escada de pedra no tabuleiro superior do adro desta freguesia; o segundo, de suporte a uma ramada, e ao terceiro está preso um gancho, donde partem uns arames de ferro zincado para outra ramada.

Na sessão camarária de 21 de Julho, de 1894, foi lido um ofício meu, dirigido a esta corporação, no qual não só chamava a sua atenção para os nossos miliários, mas solicitava a sua trasladação para a vila, onde melhor pudessem ser resguardados da acção destruidora do tempo, e acautelados da estupidez malévola de muitos.

Mais tarde, renovei a minha instância, pessoalmente, ao presidente doutra vereação, mas... tudo como dantes.

***

Nas «Memórias do Arcebispo de Braga»[3] lê-se: «Na aldeia de Antas, concelho de Coura, na capela de S. Bartolomeu existem duas colunas, que dizem se transferiram para ali, existindo primeiro no alto do monte por onde corria a via militar de Braga para Tuy; e de uma se mostra ser esta estrada reedificada no tempo do imperador Magnencio, a cujo irmão está dedicada a dita coluna, como se colhe da inscrição...»

Na outra obra de D. Jerónimo Contador de Argote, - «De Antiquitatibus Conventus Bracara-augustani» - escreveu ele: «... prossegue (a via militar) já outra vez encorporada com a estrada actual até Ponte do Lima, e depois ao concelho de Coura, como se infere de duas colunas que existem na igreja (aliás capela) de S. Bartolomeu de Antas, daquele concelho, as quais foram transferidas do alto do monte, por onde corria a via militar».

Estes extractos merecem comentário. Primeiramente, o conceituado antiquário diz-nos que de Cossourado - alto do monte, - foram para Antas dois miliários, e isto vem


  1. Alguns escritores dizem ser seis. Não é verdade.
  2. Obra citada, pag. 111, 172 e 235.
  3. Edição de 1734, pag. 610 e seguintes.